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A importância do estágio para a vida profissional

Quando eu era estagiária, não via a hora de ser uma funcionária efetiva. Hoje, sinto saudades da época de ser estagiária…rs. Ou melhor, gostaria de ser estagiária hoje, em 2012, do que em 2002.

Na minha época (e quando começamos uma frase assim já denunciamos a idade, hahahaha) ser estagiário significava ser um funcionário com custo baixo. A legislação era muito fraca e não havia, por parte das empresas, uma preocupação muito grande com a formação profissional de seus estagiários. E olha que estagiei em uma grande multinacional, e nem lá havia um aparato para apoiar os estagiários. Total absurdo.

Mas os tempos mudaram, e o que percebo hoje, convivendo com essa galera 100% geração Y (eu devo ser só uns 70%…rs), é a mudança de postura dos próprios estagiários em relação à profissão escolhida e as possibilidades de atuação.

Por exemplo, conheci um estagiário na última empresa em que trabalhei, que não se sentiu nem um pouco constrangido em pedir seu desligamento depois de 4 meses de estágio. Ele estava saindo porque havia encontrado outra oportunidade que tinha muito mais a ver com os objetivos profissionais dele. E quem pode condenar essa atitude? Fico muito feliz em ver jovens como esses, que não têm medo de ousar, e arriscam-se para o novo.

Para quem ainda está na Universidade, deixo esse recado: façam estágio!! Precisando ou não da bolsa-auxílio, arrisquem-se, experimentem. Essa é a melhor fase da vida profissional para testar as suas possibilidades na carreira escolhida, sem medo de errar. Vocês terão a possibilidade de conhecer diferentes pessoas, empresas, culturas e processos, e isso será muito enriquecedor no futuro.

Pensem nisso!!!

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Decisões de carreira, da escola para o mercado de trabalho!

Eu sempre me interessei por assuntos relacionados à carreira e profissões. Lembro que no 3º ano do colegial (sim, na “minha época” ainda falávamos colegial…rs), o assunto era recorrente, afinal estávamos ás vésperas do vestibular. O ano era 1998, e acreditávamos piamente que um bom curso superior seria suficiente para conquistarmos um ótimo emprego após a formatura. Que o nome da instituição e algum conhecimento de inglês e informática seriam competências suficientes para o mercado de trabalho. Ao menos, era isso o que vendiam para nós – pais, professores, orientadores vocacionais, os vendedores de cursos de inglês e informática que invadiam as escolas (isso ainda existe?) – e que aceitávamos como verdade universal.

Vale lembrar que a disseminação da informação era muito mais lenta que nos dias de hoje (e estamos falando de uma diferença de apenas 14 anos), a internet andava a passos lentos aqui no Brasil. Dependíamos apenas da mídia para ter acesso à informação, que nem sempre era a mais adequada. Revistas como Veja e Istoé apenas replicavam o que os gurus de plantão achavam mais adequado disseminar para uma nova geração que estava pleiteando a entrada na vida adulta e no mercado de trabalho.

Eu não consigo me lembrar de alguma matéria que tenha explorado, por exemplo, qual era o comportamento adequado para um jovem que estivesse iniciando sua vida profissional. Para isso, contávamos com a experiência dos mais velhos, mas eles já pertenciam a outra geração, os valores estavam mudando, as exigências do mercado de trabalho eram outras…e aí?

E aí que fomos obrigados a amadurecer. Entramos na universidade,  e isso, para muita gente da minha geração, foi um grande avanço frente aos pais e avós, que passaram muito longe de conquistar um diploma universitário. E foi justamente dentro dos muros da universidade, que começamos a perceber que o “buraco” era mais embaixo. Apenas ser universitário, saber informática e inglês não era mais suficiente. As empresas precisavam de pessoas pró-ativas, empreendedoras e motivadas…hein? Por que ninguém nos ensinou isso na escola? Tivemos que aprender sozinhos. E muita gente se perdeu pelo caminho, e mesmo com o diploma na mão, não alcançou o tal sucesso que foi prometido lá atrás – no final dos anos 90.

Houve dias em que eu pensei que estivesse me perdendo. Eu dava voltas e não conseguia sair do mesmo lugar. Tudo bem que minha escolha profissional, a área de Recursos Humanos, era incompatível com o lugar onde eu morava. São José dos Campos e o Vale do Paraíba não parecem ser os lugares mais amigáveis para profissionais dessa área…tive que sair da zona de conforto (diga-se, casa dos pais no interior), vir para a capital, quebrar a cara bonito (é só ler aqui) e ralar, ralar, ralar muito para finalmente poder dizer que me encontrei profissionalmente.

Então hoje, já formada, pós-graduada, com uma carreira, se não consolidada, mas pelo menos muito bem encaminhada, eu me pergunto onde eu acertei. Com certeza não foi sorte, nem a mão do destino. Eu precisei engolir muito sapo, aprender a receber feedbacks nem sempre amigáveis de chefes e colegas, estudar bastante, ler muito sobre a carreira que escolhi, tentar me manter o mais antenada possível. E sim, o inglês continua indispensável. E acrescente-se a ele o espanhol ( e sem brincadeira, tem empresa que dá mais importância para a língua dos nossos hermanos do que para a da Rainha Elisabeth), mais conhecimento de informática, tecnologia, redes sociais, etc, etc, etc.

Eu não quero, com isso, dizer que sou um exemplo a ser seguido, muito pelo contrário. Tenho muito a corrigir ainda – e quem não tem? Mas gostaria de deixar registradas essas dicas, para o pessoal que ainda está amadurecendo profissionalmente, e também para quem está a fim de dar uma guinada na carreira. Muito que escrevo tem como base pura e simplesmente as minhas percepções do mundo, embasadas com um pouco de teoria e bom senso.

  •  Apenas o que aprendemos na faculdade ou pós não é suficiente. Ao contrário do final dos anos 90, hoje a informação está ao alcance de um clique. Podemos nos inteirar de um determinado assunto com uma simples pesquisa no google, acessando blogs, páginas de revistas especializadas, artigos acadêmicos, etc. Basta aprender a filtrar as fontes, buscar por autores já consagrados em sua área de atuação (nisso, os professores da faculdade e pós-graduação, ou do curso de inglês e espanhol podem ajudar), e um mundo de informação e conhecimento estará disponível.
  •  Idiomas, quando mais cedo começar, melhor. De novo, a internet pode ser uma grande aliada para quem precisa aprender, intensificar o aprendizado ou apenas manter o conhecimento do idioma. Em alguns momentos da carreira, principalmente logo após a conclusão da faculdade, é muito mais interessante e barato investir dois ou três anos no aprendizado de um idioma estrangeiro, do que ingressar em uma pós-graduação.
  • E por falar em pós-graduação, fazer esse investimento, que não é nada barato, só vale a pena depois que o profissional já alguma experiência na área em que pretende se especializar. Vi muita gente que se formou no mesmo ano que eu ingressar na pós no ano seguinte, e continuar sem emprego simplesmente porque não tinha nenhum tipo de experiência…
  • E como conseguir experiência??? Estágio, estágio e estágio. Simmmm, ralar muito como estagiário, aproveitar essa fase onde podemos experimentar, trocar de área, buscar coisas novas. Ao contrário do mimimi que ouvimos por aí, se o estágio for realizado em empresas sérias, comprometidas com o aprendizado do estudante, a experiência conta sim, e muito. Mas também não vale ser estagiária de consultório dentário e ficar atendendo telefone o dia todo, durante os quatro anos de faculdade, ok? Estágio não é apenas para garantir a bolsa que irá financiar a mensalidade da faculdade, é para aprender a trabalhar na profissão que escolheu.

Há muito ainda a ser dito sobre esse assunto.  Nos próximos posts, vou tentar explorar um pouco o assunto “Empregabilidade”, e como isso afeta a nossa relação com o emprego e o mercado de trabalho.

Até breve!!!

Em defesa dos sonhos profissionais

Durante a infância, é comum ouvirmos dos adultos que nos cercam – pais, avós, tios, professores – a clássica pergunta: “o que você quer ser quando crescer?” Crianças são seres criativos e sonhar com a futura profissão faz parte do desenvolvimento de qualquer ser humano. Nessa fase, temos pouca ou quase nenhuma auto censura, de modo que a imaginação voa longe…

 

Logicamente, com o passar dos anos, as idéias mirabolantes da infância vão dando espaço a outras mais próximas da realidade. Durante a adolescência, mesmo com as turbulências típicas da idade, é comum os jovens começarem a definir quais são suas aptidões e, a partir daí, terem uma série de escolhas profissionais pela frente. Com o início da vida adulta, vem também a pressão – por vezes nada sutil – da família e sociedade para que o jovem escolha uma profissão e ingresse em alguma faculdade ou curso técnico.

 

Considerando um jovem de classe média, ele certamente entrará em uma faculdade, seja pública ou particular, em um curso que tenha a ver com a sua vocação ou área em que demonstre ter alguma aptidão (exatas/tecnologia, humanas, biológicas) – e provavelmente começará a estagiar para adquirir experiência profissional e poder custear parte – senão a totalidade – dos seus estudos. No entanto, é aqui que os sonhos de infância e adolescência começam a dar lugar a questões mais práticas, da vida real. Ao iniciar o estágio, o jovem ainda não tem noção do que exatamente gostaria de fazer, relacionado à sua área de estudos, e nem certeza de que está no caminho certo. O estágio deveria servir como um guia – uma espécie de test drive da vida profissional.

 

No entanto, em uma sociedade como a nossa, na qual a grande maioria dos estudantes universitários depende da bolsa-auxílio dos estágios para financiar os próprios estudos, é complicado para um jovem “escolher” em qual área, relacionada à sua formação, gostaria de desenvolver suas atividades e adquirir experiência. Então, aceita a primeira proposta que aparece (ou a com a melhor remuneração) e, depois, não tem coragem de mudar e buscar algo que lhe traga mais satisfação. A necessidade fala mais alto do que os próprios sonhos e aptidões. E assim temos estudantes de administração que sonham com o RH enquanto enfrentam horas de estágio em bancos, atendendo ao público… estudantes de engenharia civil que sonham com grandes obras, enquanto passam horas preenchendo formulários em alguma repartição pública, e por aí vai – exemplos não faltam. Se questionados se são felizes, sorriem amarelo… afinal, estão pagando a faculdade, não? E é isso o que importa para a família, para os amigos, para a sociedade em geral.

 

Esse comportamento era comum há vinte, trinta anos ou mais, quando a discussão sobre carreira x vocação era quase inexistente. Antes, era a empresa que determinava o rumo da carreira de cada funcionário, em função de seus próprios interesses. Em troca, oferecia um emprego quase que vitalício, salário, benefícios e segurança. Ninguém precisava pensar muito qual caminho seguir – isso já estava previamente determinado nas políticas de carreiras das organizações. Até mesmo os cursos que o funcionário deveria fazer já estavam definidos. Seguir os próprios sonhos era uma atitude típica de “malucos” ou de quem já nascia rico e não precisava de todo modo, se preocupar com o futuro…

 

Mas os tempos mudaram, e as mesmas empresas, agora, exigem profissionais dinâmicos, competitivos, que façam a diferença… e aí temos uma grande incoerência no mercado de trabalho: ao mesmo tempo que as organizações precisam e exigem profissionais competentes, as próprias, ao alocar alguém sem aptidão para uma determinada vaga, tornam-se coniventes do comportamento passivo dos seus colaboradores. Até que ponto isso é interessante para as organizações? Não deveriam investigar, já no processo de seleção, se o futuro estagiário ou funcionário tem a ver ou não com o perfil exigido pela vaga?

 

A grande preocupação aqui é entender por que, nos dias de hoje, ainda encontramos pessoas que se acomodam e não buscam aquilo que realmente querem para sua vida profissional. Que tipo de profissionais se tornarão no futuro? Serão competitivos? Encontrarão espaço em um mercado onde a concorrência está cada vez mais acirrada? A minha dúvida é se esse comportamento é individual, ou reflexo de uma cultura já enraizada, que remete ao passado, a um histórico de repressão à iniciativa pessoal (escravidão, ditaduras, o modelo fordista/taylorista das fábricas ao longo do século XX, etc).

 

Obviamente, isso não acontece com todo mundo. Há aqueles que dão sorte, entram na empresa certa, na hora certa e conseguem a vaga de estágio perfeita. Outros aprendem a gostar das atividades em que começam a estagiar e decidem continuar a carreira na mesma área. Existem também, os mais raros, que não se deixam vencer pelo conformismo ou acaso. E arriscam tudo para mudar de área, mesmo sacrificando uma bolsa auxílio mais polpuda, mesmo com todos falando que é loucura – estes não abdicam dos sonhos, deixam a vocação falar mais alto, e vão em busca de atividades que possam lhes trazer mais prazer no trabalho.

 

Uma coisa é certa: nenhuma pessoa deveria permitir que seus sonhos fossem sufocados pelas necessidades do dia-a-dia. O ser humano não pode ser guiado apenas pelo seu lado racional, cem por cento do tempo, mesmo em termos profissionais, principalmente quando se trata da própria carreira. Por esse motivo, é justo que os jovens, ao ingressarem no mercado de trabalho, tenham em mente suas aspirações – e que também se deixem guiar por elas.

 

Experiência, o que é ter experiência?

“O texto a seguir é de autoria da Cláudia Medeiros, publicado originalmente na comunidade Recursos Humanos, do Orkut. Além de desabafo, serviu para uma interessante discussão a respeito de um dos grandes paradoxos do mercado de trabalho: a porta de entrada para o mundo profissional dos universitários se dá, em sua grande maioria, por meio dos estágios realizados ao longo da gradução. No entanto, ao se formar, o jovem percebe que as empresas não valorizam a experiência adquirida, e exigem que a mesma seja comprovada por meio da Carteira de Trabalho, registro oficial da “experiência”. Então, fica a questão da minha xará – afinal, o que é ter experiência?”

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Experiência s.f. do Lat. Experientia
Ato ou efeito de experimentar;observação;experimentação;ensaio;prova; tentativa;a prática, por oposição à teoria;habilidade e perícia adquiridas com o exercício de uma arte ou ofício;conhecimentos resultantes de vivencias subjetivas;soma de conhecimentos

As pessoas ao logo de nossas vidas, sejam professores, pais, amigos entre outros reproduzem um discurso BLASÉ de que os melhores sobrevivem no mercado, desde que tenham conhecimento, habilidades e atitudes, que o esforço é recompensado, de que isso, de que aquilo.


Estudei na faculdade (pelo menos em administração e principalmente na minha área de interesse acadêmico – RH) de que temos que estabelecer um perfil profissional captando e retendo as melhores pessoas. Que, ao achar uma pessoa no perfil desejado, independente de experiência ou não, a organização pode e deve moldá-lo buscando extrair do indivíduo o seu melhor desempenho.

 

Então vamos treiná-lo, acompanhá-lo, dar a ele feed back constantes, motivá-lo, oferecendo-o um ambiente bom de se trabalhar, um clima organizacional estável onde ele se sinta parte da organização e que seus valores sejam similares ao da empresa, em suma, fazer com esse profissional venha a performar dentro da organização.

                                                                      
Espera-se que um profissional de RH tenha esse olhar clinico, que a área de RH da empresa deva ser uma área estratégica, uma vez que é a área responsável pelo equilíbrio entre os interesses do empregador e do empregado. Deve o profissional dessa área, ter um conhecimento amplo do negócio, deve ter a visão Macro da organização e não se fechar num mundo de rotinas onde as obrigações sejam voltadas apenas ao ajuntamento de papeladas de folha de pagamento, férias e organização de festinhas. O RH é muito mais que isso.


Foi isso que aprendi na faculdade e convivo ao logo de 18 meses na empresa na qual realizo um programa de estagio em RH.  Durante esses 18 meses aprendi o que é transformar uma simples área de RH em uma área Estratégica. Conseguimos (toda a equipe) ser reconhecidamente a melhor área de RH da regional da qual fazemos parte, foi gratificante participar da elaboração de um plano de ação que nos fez saltar de um índice de 64% de satisfação com a unidade para um score de 98% (pesquisa de clima e cultura). Consegui (essa é minha responsabilidade) bater 100% das metas de treinamento, cumprir 100% dos prazos e da gestão dos processos trabalhistas, cumprir 100% em dia e em ordem as tarefas das rotinas administrativas e ser auditada nos meus produtos e ter 0% de dispersão, 100% de conformidade. Ou seja, fizemos de 2008 um ano campeão.

 

Por uma contingência de pessoas, frente à crise que assola o Brasil e o mundo, eu não poderei ser efetivada, e é nesse cenário que começa minha saga.


26 anos, 9 meses de experiência como estagiaria no setor de eventos em uma organização, a convite fui estagiar por 9 meses no setor de recuperação de crédito e atendimento a clientes em outra organização.


Surgiu a oportunidade de ouro, a realização de um sonho. Estagiar numa multinacional, na minha área de interesse, RH. Ganhando quase a metade do valor da bolsa que o estagio no banco me pagava, larguei tudo e fui viver essa experiência. Ao longo desses meses, o aprendizado foi ímpar como relatado no inicio do texto, mas dado o cenário que agora se configura, tive de partir à procura de emprego, de um trabalho formalizado de acordo com a CLT, visto que há 3 anos trabalhava duro, mas sem as “garantias” que um trabalho formal dá ao cidadão.

 

Sempre imaginei que a experiência profissional nada mais era que a prática, que as habilidades resultantes do exercício contínuo da minha profissão, porém o que vejo agora não é nada disso.


Ao sair à procura de emprego vejo que pouco do que relatei é levado em consideração: habilidades e aptidões, conhecimento e EXPERIÊNCIA. O que exigem é uma carteira assinada que em nada comprova o exercício da função.
Mesmo possuindo toda a documentação que comprova o exercício de minha função, tempo de experiência bem como as atribuições e atividades desenvolvidas por mim na empresa, não consigo nem ao menos a indicação para participar de algum processo seletivo. Por quê?
Por que eu não tenho experiência!
Então eu pergunto…
O QUE È TER EXPERIÊNCIA?

 

Autoria:Cláudia Medeiros – estudante de Administração de Empresas

 

 

Seleção de Pessoal: porque é tão difícil ser respeitado quando se procura emprego?

Ao longo da minha curta carreira profissional – cerca de oito anos, desde o primeiro emprego – tive a oportunidade de participar de inúmeros processos seletivos, desde vagas de auxiliar administrativo, depois estágios e por fim, posições de analista.

A jornada começou quando completei 18 anos, concluí o ensino médio, e saí para o mundo, em busca do primeiro emprego. Então, de porta em porta, de agência de emprego em agência de emprego, comecei a ter contato com os selecionadores de pessoal. Vejam bem, nada tenho contra esse profissional, muito pelo contrário. Afinal, eles são pagos para receberem nossos currículos, fazer a triagem e a entrevista inicial. Verificar se o perfil do candidato se encaixa com o perfil da vaga. Nada simples, considerando que lidam diretamente com pessoas e suas expectativas profissionais e, muitas vezes, de futuro.

 Mas estou me adiantando. Voltando ao começo, eu, sem experiência nenhuma no mercado de trabalho, era vista como um ninguém…o destino do meu currículo, quase sempre, era a famigerada pilha – enorme – que muito provavelmente iria para o lixo no fim do dia…paciência, eu ainda não conhecia as regras do jogo.

O primeiro emprego veio – por indicação -, adquiri experiência, me qualifiquei, entrei para a faculdade, hora de alçar novos vôos. Então, um dia decidi que era hora de enfrentar o mercado novamente, e saí distribuindo os meus currículos. Naquela “época” – meados de 2001 – internet era um luxo, que eu podia utilizar somente aos finais de semana. Ou seja, nada de procurar emprego pela web. No máximo, utilizava o computador para encaminhar os currículos por email, quando solicitado no anúncio do jornal.

Um novo emprego, depois o primeiro estágio. O segundo, consegui por meio de um processo seletivo acirrado. Trabalho de primeira categoria, consultoras competentes, sempre fornecendo feedback das etapas. Infelizmente, por uma contingência, meu contrato não foi renovado ao final do primeiro ano. Ou seja, estava mais uma vez disponível no mercado, para enfrentar o último estágio e concluir a minha graduação.

Concluída a faculdade, hora de conseguir um emprego de verdade. Não era o primeiro – afinal, eu já tinha um registro em carteira – mas seria de fato o início da minha carreira como administradora de empresas, atuando na área de recursos humanos/departamento de pessoal – assim mesmo, era (ainda é) o que constava em meu currículo.

Foi então que eu percebi que o mercado de trabalho pode ser extremamente cruel, que três anos de experiência em estágio, para muitas empresas nada significa e, por fim, lidar com o mau humor e indiferença dos selecionadores. Nesse período – começo de 2005 – foram várias as situações, que considero constrangedoras, pelas quais eu passei:

– Em uma agência, ao deixar o currículo, a recepcionista perguntou minha pretensão salarial. Respondi que era em torno de R$ 1.200,00 – afinal, era a média salarial para um Analista de Pessoal Jr – e ela riu – sim, ela riu da minha “pretensão” em querer ganhar um salário, que afinal não era nenhum absurdo – tendo como experiência apenas “estágios”. Saí de lá me achando um lixo…

– Quando fui fazer uma entrevista no escritório de uma grande rede de lojas femininas, peguei um ônibus errado, me perdi e cheguei cinco minutos atrasada. A gerente me deixou esperando quase duas horas, para depois me atender de mal-humor, perguntar por que me atrasei, e fazer uma “entrevista” de cinco minutos. Nunca me deu um único retorno, nem mesmo para dizer que não aceitava candidatos atrasados. Se ela achou um absurdo o meu atraso, porque simplesmente não mandou a recepcionista me dispensar?

– Depois, fiz uma entrevista para uma vaga temporária, e a selecionadora virou para mim e perguntou se eu estava participando de mais algum processo seletivo. Ora, estando desemprega, era óbvio que sim, não? Não sei se foi a resposta positiva, mas depois dessa entrevista, nunca mais deram retorno da vaga…

Foram apenas dois meses de procura. Por fim, consegui um emprego – não o dos meus sonhos, mas o que me aliviou um pouco financeiramente – depois outro, no qual permaneci por quase três anos. No último ano nessa empresa – entre 2007 e meados de 2008, comecei a buscar uma nova oportunidade, principalmente por causa do salário. E lá vou de novo – dessa vez experiente e com muito mais traquejo para lidar com situações inesperadas. Nesse período as “pérolas” foram as seguintes:

– A selecionadora me ligou, de uma consultoria de São Paulo/Capital, para uma vaga nessa cidade. Perguntou qual era o meu salário atual e qual a minha pretensão. Ora, o meu salário estava completamente defasado em relação ao mercado. E se tem algo que aprendi, é que sempre devemos informar uma pretensão um pouco mais alta do real, para termos margem para negociação. Foi o que fiz, e informei um valor que era quase o dobro do meu salário – mas o valor real de mercado para uma posição de Analista Pleno – e sou obrigada a ouvir o seguinte: “Nossa, mas isso é o dobro do seu salário!!! Por que você quer ganhar tanto? O meu cliente está oferecendo um valor próximo ao seu salário atual.” – Minha reação inicial foi responder “não é da sua conta o quanto quero ganhar”, mas não achei educado…com sangue-frio, respondi: “eu conheço o mercado, sei quanto está valendo esse cargo em São Paulo, e o valor que o seu cliente está oferecendo é ridículo, portanto não me interessa…eu sei que mereço ganhar o que estou pedindo”. Ok, nunca mais me ligaram dessa consultoria (e olha que é uma relativamente famosa), mas ao menos consegui me posicionar.

– Participei de um processo seletivo para uma fábrica daqui da região de São José dos Campos. Salário excelente, benefícios idem, era o emprego dos meus sonhos. Fui bem na entrevista e a gerente me informou que em uma semana, dariam o retorno. Esperei ansiosamente uma semana. Depois de dez dias de silêncio, liguei para a consultoria. Me pediram para aguardar mais alguns dias, pois a empresa ainda estava entrevistando outros candidatos, mas eu ainda estava no processo. Mais quinze dias, liguei novamente. Sim, o processo ainda estava aberto…sim, eu continuava participando, mas tivesse paciência. Não liguei mais e desencanei. Mas eis que quatro meses depois (!!!), uma ex-colega liga para nós, no escritório, e nos comunica, toda feliz, que havia sido aprovada para a tal vaga, na tal empresa!!! Em menos de uma semana ela fez a entrevista na consultoria, depois na empresa e por fim, conseguiu a vaga. Não tiro o mérito dessa pessoa – ela tinha mais experiência e qualificação que eu, reconheço – mas não me conformei com o descaso por parte da consultoria, de nunca ter me comunicado que eu estava fora do processo. Foram meses aguardando um retorno que nunca veio. Quando eu soube disso tudo, liguei para a consultora, e ela, extremamente antipática, me informou que a vaga só havia sido fechada naquele dia, e que eu seria comunicada por e-mail – que nunca chegou à minha caixa postal.

– No mesmo condomínio empresarial onde eu trabalhava, instalou-se uma famosa empresa de call center. Fui chamada duas vezes para fazer entrevista. Na primeira vez, depois de passar a manhã fazendo uma bateria de testes, aguardei mais de duas horas para passar pela entrevista com a psicóloga. Então ela me informou que precisavam de uma pessoa com disponibilidade total de horário para trabalhar, inclusive de madrugada, finais de semana e feriados. Educadamente, declinei da oferta. Meses depois, me chamaram novamente. Queriam que eu fizesse todos os testes novamente, mas me recusei. Por fim, acharam o meu processo anterior, e me pediram para aguardar até a gerente, que iria me entrevistar, sair de uma reunião. Aguardei meia hora, procurei a responsável pela seleção. Ela me informou que a tal reunião iria durar a manhã inteira. Dessa vez, não disse nada. Simplesmente saí da empresa, voltei ao meu trabalho e prometi a mim mesma nunca mais responder a nenhum anúncio dessa empresa. Foi o cúmulo do desrespeito a um profissional.

Por fim, acabei sendo demitida em meados de 2008. Aproveitei a dupla dinheiro no bolso + tempo livre – coisa inédita em minha vida – e fui viajar. Passei um mês estudando inglês na África do Sul, minha primeira experiência no exterior, uma lição de vida para mim.

Na volta, adivinhem só…novamente no mercado, procurando emprego. Mas dessa última vez acredito que amadureci, profissionalmente, o suficiente para não me deixar abater pelas situações que considero absurdas.

Mas ainda assim, eu gostaria de entender o que se passa com profissionais que estão na linha de frente da seleção de pessoal de empresas dos mais diversos portes, e que são incapazes de tratar com um pouco mais de dignidade profissionais em busca de uma nova colocação.

Por que é tão difícil:

– Serem menos arrogantes?

 – Ler e interpretar o currículo, antes de ligar e fazer perguntas óbvias (por exemplo: “você tem experiência em todas as rotinas de DP”? sendo que essa é a primeira informação do meu currículo)

 – Ouvir com atenção a pretensão salarial do candidato, e educadamente informar que o oferecido é um valor inferior, e agradecer a atenção?

– Explicar educadamente como se faz para chegar ao local da entrevista e, se possível, fornecer um mapa por e-mail, ou informar a linha de ônibus? – Não fazer o candidato esperar – afinal, mesmo que ele esteja desempregado, isso não significa tempo livre a ser desperdiçado em salas de espera?

– Ouvir o candidato com atenção, olho no olho? O texto ficou longo, mas ele estava a meses esperando para ser escrito.

Porque eu leio depoimentos aos montes, de pessoas que passaram por situações semelhantes às minhas, senão humilhantes. Existem relatos de profissionais que tremem ao saber que terão de passar por uma dinâmica, devido a péssimas experiências em processos anteriores. Então, me pergunto: onde estão os responsáveis pelos processos seletivos? Por que essa banalização da área de Recrutamento & Seleção? Não quero, com esse artigo, banalizar a profissão do Selecionador.

Encontrei sim, muito profissional competente, extramente honestos em sua função. Realizei entrevistas em que ficou muito claro que o meu perfil não se encaixava na vaga – ou que a vaga não atenderia minhas expectativas profissionais – e nem por isso foram experiências ruins. Pelo contrário, me enriqueceram e me fizeram refletir sobre meus pontos fracos, o que eu poderia melhorar, quais eram realmente os meus objetivos. São de profissionais como estes que precisamos em todas as consultorias, em todos os departamentos de R&S.

Sobre a Lei 11.788/08 – Nova lei de estágio

A  lei 11.788/08, mais conhecida como a “nova lei do estágio”, sancionada pelo Presidente Lula em 26 de Setembro de 2008, gerou uma grande polêmica entre empresas, estudantes e instituições de ensino. Passados mais de quatro meses desde sua publicação, é provável que ainda seja cedo para avaliar o impacto da mesma nas contratações/desligamentos de estagiários. Atualmente, o que se vê é uma retração no mercado, com menos ofertas de vagas de estágio. No final do ano de 2008 o Ministério do Trabalho publicou uma cartilha, esclarecendo os pontos mais confusos da lei, o que, segundo especialistas, pode colaborar com a criação de novas vagas.

No entanto, o aspecto mais positivo da Lei 11.788/08 não é apenas o conteúdo em si, mas sim a discussão que seguiu-se após sua aprovação. Pela primeira vez, uma lei colocou a atividade de estágio em seu devido lugar – aprendizagem profissional – e tem como uma de suas metas abolir o abuso de algumas empresas, que contratavam estagiários para ocupar o lugar de funcionários efetivos, evitando assim o pagamento de verbas e tributos trabalhistas.

Estágio não é emprego. É uma atividade educacional, que visa à formação profissional do estudante, ou seja, este aprende na prática a teoria ensinada em sala de aula. Banalizar essa atividade é tirar a chance do jovem de adquirir experiência em sua área de formação e comprometer sua empregabilidade no futuro. Espera-se, portanto, que com a nova legislação em vigor, as organizações comecem a prestar mais atenção nos programas de estágio que desenvolvem, tendo sempre como objetivo principal a qualificação dos estagiários e, quem sabe, após isso, a efetivação dos mesmos em seus quadros de funcionários.

 

A lei na íntegra

 

Cartilha da Nova Lei

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