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Retomando o blog…de novo!!

Olá a todos!!

Cá estou eu, novamente, tentando retomar esse blog. Minha missão agora será a de não abandoná-lo…rs. Espero que consiga passar por aqui ao menos uma vez por semana, e poder compartilhar minhas impressões sobre carreiras, empregabilidaos de, o mercado de trabalho para RH.

O que me motivou a voltar a escrever?

Primeiro, quando temos tempo livre é natural buscar algo para se ocupar. No meu caso, os pensamentos ficam flutuando para lá e para cá, e quando percebo, já tenho algum tema para compartilhar. Não é justo que essas idéias fiquem restritas somente a mim, não é mesmo? rs

Segundo, percebi que já tenho uma carga de vivência no mercado de trabalho suficiente para ajudar outras pessoas – principalmente os jovens que estão começando agora – com dicas e macetes para enfrentar essa verdadeira selva..rs..rs. Então, o intuito dessa retomada também é dar algum tipo de apoio para que as pessoas dêem menos cabeçadas e consigam encontrar algum rumo para suas vidas profissionais.

Por enquanto é isso!!!

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Recomeçando…Ingressei na Pós-Gradução!!

Finalmente comecei a Pós-Graduação, depois de cinco anos de “enrolação” desde a minha graduação.

Digo enrolação, mas acredito que esse é o melhor momento para ingressar na pós. Estou mais madura, sei exatamente que quero continuar minha carreira em Gestão de Pessoas. Agora, só preciso definir qual caminho exatamente irei trilhar. As perspectivas são várias e consigo vislumbrar um ótimo futuro profissional.

Espero conseguir reunir material interessante e manter esse blog atualizado. Passei mais de um ano sem escrever, e da última vez eu era exatamente o oposto de hoje…mas resolvi deixar toda as mágoas e decepções para trás e recomeçar!!!

Retorno sobre o post anterior

Gostaria de agradecer a todos os colegas que se manifestaram a respeito do meu artigo/desabafo. Para mim, foi muito gratificante perceber a solidariedade e, por que não, a indignação dos diversos profissionais aqui presentes.

 Analisei todos comentários, e inclusive achei interessante a colocação de alguns colegas, considerando essa história de outros pontos de vista. Confesso que não havia pensado por outros ângulos, o que contribuiu ainda mais para o meu aprendizado.

 Que histórias como essa que vivi existem nas organizações, isso eu sempre soube. Mas nunca tinha visto acontecer, nem comigo nem com colegas próximos. Parecia algo muito distante da minha realidade.

 No entanto, faço uma observação: mesmo isso sendo algo comum, será que somos obrigados a conviver com atitudes desse naipe dentro do ambiente do trabalho? Será que não está na hora de “humanizar” um pouco mais as empresas, evitando inclusive problemas como o assédio moral e doenças decorrentes da pressão exagerada que as pessoas vêem sofrendo (stress, transtornos de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, etc)? Será que, a longo prazo, isso não pode acabar se revertendo em prejuízos para essas organizações? Fica aqui a minha observação!!!

Uma história real de conquista e decepção

O relato que vocês lerão mais abaixo é verídico e aconteceu comigo. O intuito deste texto não é me fazer de vítima, mas sim expor uma situação constrangedora e que pode acontecer a qualquer pessoa que, assim como eu, resolveu sair da zona de conforto e buscar uma nova oportunidade profissional. Por uma questão de ética, vou omitir os nomes da empresa e pessoas envolvidas nesse processo. Afirmo apenas se tratar de uma organização multinacional de tecnologia, sediada em São Paulo – Capital.

 

O processo iniciou-se em 31 de Março de 2009, quando recebi um recado pelo Inbox do LinkedIn, da Analista de Recrutamento & Seleção da empresa, informando que havia uma vaga de Analista de Recursos Humanos adequada ao meu perfil profissional. Na mesma hora respondi a mensagem e poucos minutos depois, já estava ao telefone com essa profissional, agendando uma entrevista para dali dois dias.

 Na manhã do dia 02 de Abril me desloquei de São José dos Campos (onde eu trabalhava e residia) para São Paulo, a fim de participar da entrevista, primeiramente com a Analista de R&S, e em seguida, com o Diretor de Recursos Humanos, extremamente simpático, que conduziu a entrevista de forma bastante informal. Confesso que saí de lá bastante impressionada e torcendo para ser selecionada.

 No mesmo dia, a selecionadora me ligou para marcar a entrevista seguinte, dessa vez com o Diretor de Recursos Humanos para América Latina e me antecipou que ele não fala português. Ou seja, a entrevista seria conduzida ou em espanhol (que apenas entendo, mas não falo) ou em inglês, o que obviamente foi nossa escolha (minha e do diretor), quando nos encontramos na segunda-feira seguinte, dia 06 de Abril.

 Ainda neste dia (06/04), me ligaram novamente da empresa, desta vez para agendar a derradeira entrevista, com a Diretora de Talentos, uma norte-americana, por telefone, ainda naquela semana. Nesse momento, fiquei realmente nervosa. Nunca havia conversado com alguém, em inglês, ao telefone. Ainda mais fazer uma entrevista que definiria minha admissão ou não para aquela vaga. Preparei-me como nunca havia feito antes, porque eu queria muito aquele emprego. E meu empenho foi recompensado, porque menos de duas horas depois da entrevista por telefone, fui comunicada que estava aprovada para a vaga. O emprego era meu.

 Óbvio que me senti nas nuvens. Afinal, eu acabara de conquistar tudo o que eu buscava desde a minha graduação. Não seria mais estagiária nem terceirizada, finalmente era efetiva, dentro de uma área de Recursos Humanos, com grandes perspectivas de crescimento. Essa era a minha expectativa e também o que todos os profissionais envolvidos naquele processo me venderam. Que aquela era uma empresa em franco crescimento e oportunidades para os profissionais não iriam faltar, desde que se dedicassem com afinco ao trabalho.

 Compareci à empresa no dia 09/04, véspera de feriado, para assinar a carta-oferta e levar os documentos necessários para minha admissão, que seria efetivada em 28/04. Nesse mesmo dia, fui informada que o simpático diretor que me entrevistara na semana anterior, havia pedido demissão, e que,  para a posição dele, a empresa contratara uma Diretora, com vasta experiência em Gestão de Pessoas em empresas multinacionais. E detalhe, ela também seria admitida na mesma data que eu. Recebi a notícia de forma natural. Curiosamente, na empresa onde eu ainda trabalhava (e da qual iria pedir demissão logo depois do feriado), isso também havia acontecido (ser admitida junto com o chefe) e desenvolvi um excelente relacionamento com o meu coordenador. Embora nunca tivesse respondido diretamente ao nível executivo, imaginei que poderia repetir a história.

 Viajei durante o feriado de Páscoa com o meu namorado e um animado grupo de amigos e comemoramos bastante o meu novo emprego e o fato de que me mudaria para São Paulo. De volta a São José dos Campos, na segunda-feira, pedi demissão e comecei o processo de mudança, principalmente encontrar um lugar bacana e próximo ao trabalho, para morar.

 Em 28 de Abril, já instalada na Capital, ingressei na empresa. Fui muito bem recebida, pessoas simpáticas e amáveis. E logo conheci minha chefe, a nova Diretora Executiva de Recursos Humanos. Conversamos pouco naquele dia – assim como eu, ela também precisava entender o funcionamento da organização. E lógico que, na posição dela, isso era muito mais complexo.

 Nos dias que se seguiram, eu procurei me aprofundar na cultura da empresas e entender como funcionavam os processos (que se mostraram bastante complexos, ao menos para mim).  Além disso, procurava interagir com os demais profissionais da equipe e, ao mesmo tempo, atender a todas as solicitações da Diretora.

 E atender à essas solicitações se tornou a minha rotina naquelas semanas. Cada caso diferente que aparecia, ela pedia (ou exigia) que eu explorasse o assunto até o fim, e encaminhasse todas as informações a ela. Mas conversávamos muito, muito pouco. Fora os e-mails diários e alguns  telefonemas (quando ela não estava na empresa), o nosso contato era quase nulo. Já que éramos duas novatas dentro da organização, imaginava que o óbvio, naquela situação, seria dividir, discutir tudo o que estávamos descobrindo e juntas encontrarmos o nosso caminho. Mas isso não acontecia e eu tinha dúvidas se eu deveria tomar a iniciativa e procurá-la para saber o que ela esperava do meu trabalho…

 Então, começaram as entrevistas. De seleção, para a área de Recursos Humanos. Sem consultar a área de Seleção,  convocou diretamente alguns candidatos para uma vaga que ninguém sabia qual era, mas que gerou diversas especulações na empresa.

 E enquanto isso, eu tentava conduzir o meu trabalho da melhor forma possível, embora o clima entre todos os colaboradores do RH estivesse péssimo. Tudo porque faltava clareza nas atitudes da Diretora – ninguém entendia ao quais eram as pretensões dela dentro da empresa. Eu evitava dar ouvidos à famosa rádio-peão, e mesmo quando soube, por terceiros, que ela ainda “não havia definido a equipe dela”, tentei racionalizar, e assumi que ela iria expandir o departamento de RH com a contratação de mais um profissional, talvez um coordenador. Isso seria lógico dentro do contexto da empresa, afinal estávamos em crescimento acelerado. E não é exatamente isso o que se espera de uma área de Recursos Humanos, estratégica e atuante? Acompanhar o crescimento da empresa e dar suporte às estratégias da organização? Ao menos ela fora contratada para isso… e até o dia 29 de Maio de 2009 eu acreditava que eu também faria parte de todo esse processo…

 Porque foi nesse dia, aproximadamente às 13h30min (logo após o intervalo do almoço), que toda a minha expectativa, construída naqueles últimos dois meses, desmoronou, quando ela me comunicou, incisivamente, que eu estava demitida. Que não havia espaço na organização, em face de toda estratégia que ela estava montando, para uma profissional com o meu perfil. Naquele momento, eu estava sendo descartada como se fosse mais um equipamento sem qualquer utilidade. Ela não enxergou ali um ser humano, mas sim uma coisa que precisava ser eliminada por ocupar sem necessidade um espaço útil. 

 Eu tive poucos minutos para recolher meus pertences e ir embora. Era uma sexta-feira, fazia muito frio e nunca me senti tão perdida e sem rumo como naquele dia. Até que eu reuni coragem suficiente para ligar para minha mãe, a única pessoa com quem eu queria falar naquele momento. Quando o chão sumiu debaixo dos meus pés, ela e o restante da minha família foram os únicos que realmente conseguiram me trazer algum consolo…

 Depois de dez dias, ao receber as verbas rescisórias, contatei a empresa para buscar a documentação para saque do FGTS. E foi quando eu soube que, na quarta-feira seguinte à minha demissão, a minha vaga já estava ocupada por outra Analista. E que essa pessoa já havia trabalhado anteriormente com essa Diretora de RH…

 Tudo o que posso fazer agora é dar a volta por cima. Não está sendo fácil, porque o sentimento de frustração é forte. Além do mais, é constrangedor para eu admitir que permaneci apenas um mês em uma empresa e fui demitida. Isso nunca havia acontecido antes e fico extremamente preocupada como isso vai ser visto pelos selecionadores que estão recebendo o meu currículo.

 Eu ainda não sei que lições eu vou tirar de toda essa história. Na hora em que fui demitida, tudo o que consegui argumentar era que havia pedido demissão de um emprego estável, onde dificilmente seria desligada por iniciativa da empresa, deixei família e todo o conforto de morar com os pais para buscar uma nova vida, tanto profissional quanto pessoal. Mas do outro lado da mesa havia apenas alguém preocupada com estratégias, números e lucro. Será que cometi algum erro grave durante aquele mês de maio? Eu realmente não sei dizer. 30 dias, em minha opinião, é tempo insuficiente para avaliar o trabalho e o perfil de alguém. Só posso dizer que essa pessoa passou pela minha vida apenas para mostrar o tipo de profissional que eu não pretendo ser.

Se para ocupar um cargo de liderança algum dia, eu precisar passar por cima de outras pessoas, assim como ela fez comigo, então prefiro continuar onde estou e permanecer com a minha consciência tranqüila…

03 de Junho – Dia do Administrador de Pessoal: Uma pequena história para valorizar a profissão

Dizem que trabalhar em “departamento pessoal” (sinceramente prefiro a expressão Administração de Pessoal) é extremamente desgastante e não traz reconhecimento profissional algum, já que a empresa enxerga essa área apenas como um centro de custo. Não é por acaso que é um departamento altamente “terceirizável”.

 Por um lado, eu concordo com essa premissa, até porque já senti na pele o que é trabalhar, trabalhar, trabalhar e não receber de volta nem mesmo um “muito obrigado pelo seu empenho”. Fora a rotina puxada, zilhões de cálculos e controles para que tudo saia com perfeição e nenhum empregado seja prejudicado em seus benefícios e pagamentos. Ou, ao contrário, para que não recebam além do que têm direito, trazendo prejuízos para a empresa.

 No entanto, existem momentos em que a profissão torna-se gratificante. E foi pensando nisso que resolvi escrever esse pequeno artigo, em comemoração ao dia do Administrador de Pessoal.

 Eu já estava na empresa há mais de um ano quando recebi o telefonema de um dos diretores. Homem de cerca de quarenta anos, formado em Física, com pós-doutorado no exterior, gerenciava uma área de alta complexidade na organização. Nós nunca havíamos conversado antes, porém eu já havia recorrido ao prontuário dele algumas vezes, em busca de documentos, por isso conhecia o seu histórico. Quando atendi ao telefone e ele se identificou, pensei – “só pode ser problema com algum funcionário dele… o que será que aconteceu?”.

 Logo nas primeiras palavras, ele foi bastante gentil:

 – Cláudia? Bom dia, aqui é o “fulano”. Estou precisando da sua ajuda…

 – Sim, claro, qual é a sua dúvida?

 – É o seguinte: vou sair de férias na segunda-feira. Trabalho há dez anos nessa empresa, e é sempre a mesma coisa, nunca consigo entender o recibo de férias, o que tenho direito a receber, se vou ter adiantamento…será que você poderia me ajudar a entender?

  Meu primeiro pensamento foi: “fala sério… um cara inteligente desses, não conseguir decifrar um simples recibo de férias?” Mas foi então que percebi que aquela não era, definitivamente, a especialidade dele. Ele poderia ser muito bom, excelente, o melhor profissional do país na área dele…mas ele não tinha a obrigação de saber todos os cálculos de férias…mas tinha o direito a saber quais valores iria receber nos próximos dias e qual o impacto no pagamento (quem trabalha sabe a confusão que as verbas causam…).

 Acessei o recibo de férias e, com ele ao telefone, fui pacientemente explicando o que significavam todos aqueles termos “complexos”. Deixei claro que o terço das férias, o abono pecuniário e o décimo-terceiro salário é que eram os valores adicionais, e o restante, salário, ou seja, fazia parte da remuneração normal e que não convinha gastar tudo de uma vez, com uma viagem, por exemplo, (outro erro típico de quem sai de férias…). Como o salário dele beirava o astronômico, os cálculos eram mais complexos. Por isso, a conversa se estendeu por mais de vinte minutos, até que ele se satisfez com todas as minhas explicações. Ao se despedir, ele falou a seguinte frase, que me lembro até hoje:

 – Cláudia, muito obrigado pelas suas explicações. Até hoje ninguém havia me esclarecido tão bem o que significam as verbas de férias. Acho que ano que vem não terei mais problemas em entender esse recibo. Muito obrigado mesmo!!

 – De nada – respondi – sempre que você precisar, pode entrar em contato. É exatamente para isso que estou aqui, para sanar as dúvidas de todos os funcionários da empresa.

 – Sim, com certeza – ele ainda acrescentou – eu realmente não entendo nada desses cálculos. É sempre bom ter alguém especialista no assunto, para que a gente possa consultar e não ter que se preocupar com essas contas.

 Desliguei o telefone e me senti bastante motivada. Afinal, ele tinha razão e disse o óbvio – eu, sendo especialista, tinha mais competência para tratar do assunto férias que ele – mas me estimulou a trabalhar com muito mais empenho naquele dia. E mesmo hoje, passados mais de dois anos, quando sinto que algumas pessoas querem “rebaixar” a qualidade do meu trabalho ou desvalorizar a função, penso naquele diretor e em sua humildade ao reconhecer que não sabe tudo.

 Por isso, caros colegas, nunca deixem que ninguém os desanime. Se o trabalho é árduo, vamos procurar meios de torná-lo mais agradável – e, se possível, promovendo-o, tratando-o como algo realmente útil ao funcionamento de qualquer organização – e não permitir a desvalorização do profissional de Administração de Pessoal.

Em defesa dos sonhos profissionais

Durante a infância, é comum ouvirmos dos adultos que nos cercam – pais, avós, tios, professores – a clássica pergunta: “o que você quer ser quando crescer?” Crianças são seres criativos e sonhar com a futura profissão faz parte do desenvolvimento de qualquer ser humano. Nessa fase, temos pouca ou quase nenhuma auto censura, de modo que a imaginação voa longe…

 

Logicamente, com o passar dos anos, as idéias mirabolantes da infância vão dando espaço a outras mais próximas da realidade. Durante a adolescência, mesmo com as turbulências típicas da idade, é comum os jovens começarem a definir quais são suas aptidões e, a partir daí, terem uma série de escolhas profissionais pela frente. Com o início da vida adulta, vem também a pressão – por vezes nada sutil – da família e sociedade para que o jovem escolha uma profissão e ingresse em alguma faculdade ou curso técnico.

 

Considerando um jovem de classe média, ele certamente entrará em uma faculdade, seja pública ou particular, em um curso que tenha a ver com a sua vocação ou área em que demonstre ter alguma aptidão (exatas/tecnologia, humanas, biológicas) – e provavelmente começará a estagiar para adquirir experiência profissional e poder custear parte – senão a totalidade – dos seus estudos. No entanto, é aqui que os sonhos de infância e adolescência começam a dar lugar a questões mais práticas, da vida real. Ao iniciar o estágio, o jovem ainda não tem noção do que exatamente gostaria de fazer, relacionado à sua área de estudos, e nem certeza de que está no caminho certo. O estágio deveria servir como um guia – uma espécie de test drive da vida profissional.

 

No entanto, em uma sociedade como a nossa, na qual a grande maioria dos estudantes universitários depende da bolsa-auxílio dos estágios para financiar os próprios estudos, é complicado para um jovem “escolher” em qual área, relacionada à sua formação, gostaria de desenvolver suas atividades e adquirir experiência. Então, aceita a primeira proposta que aparece (ou a com a melhor remuneração) e, depois, não tem coragem de mudar e buscar algo que lhe traga mais satisfação. A necessidade fala mais alto do que os próprios sonhos e aptidões. E assim temos estudantes de administração que sonham com o RH enquanto enfrentam horas de estágio em bancos, atendendo ao público… estudantes de engenharia civil que sonham com grandes obras, enquanto passam horas preenchendo formulários em alguma repartição pública, e por aí vai – exemplos não faltam. Se questionados se são felizes, sorriem amarelo… afinal, estão pagando a faculdade, não? E é isso o que importa para a família, para os amigos, para a sociedade em geral.

 

Esse comportamento era comum há vinte, trinta anos ou mais, quando a discussão sobre carreira x vocação era quase inexistente. Antes, era a empresa que determinava o rumo da carreira de cada funcionário, em função de seus próprios interesses. Em troca, oferecia um emprego quase que vitalício, salário, benefícios e segurança. Ninguém precisava pensar muito qual caminho seguir – isso já estava previamente determinado nas políticas de carreiras das organizações. Até mesmo os cursos que o funcionário deveria fazer já estavam definidos. Seguir os próprios sonhos era uma atitude típica de “malucos” ou de quem já nascia rico e não precisava de todo modo, se preocupar com o futuro…

 

Mas os tempos mudaram, e as mesmas empresas, agora, exigem profissionais dinâmicos, competitivos, que façam a diferença… e aí temos uma grande incoerência no mercado de trabalho: ao mesmo tempo que as organizações precisam e exigem profissionais competentes, as próprias, ao alocar alguém sem aptidão para uma determinada vaga, tornam-se coniventes do comportamento passivo dos seus colaboradores. Até que ponto isso é interessante para as organizações? Não deveriam investigar, já no processo de seleção, se o futuro estagiário ou funcionário tem a ver ou não com o perfil exigido pela vaga?

 

A grande preocupação aqui é entender por que, nos dias de hoje, ainda encontramos pessoas que se acomodam e não buscam aquilo que realmente querem para sua vida profissional. Que tipo de profissionais se tornarão no futuro? Serão competitivos? Encontrarão espaço em um mercado onde a concorrência está cada vez mais acirrada? A minha dúvida é se esse comportamento é individual, ou reflexo de uma cultura já enraizada, que remete ao passado, a um histórico de repressão à iniciativa pessoal (escravidão, ditaduras, o modelo fordista/taylorista das fábricas ao longo do século XX, etc).

 

Obviamente, isso não acontece com todo mundo. Há aqueles que dão sorte, entram na empresa certa, na hora certa e conseguem a vaga de estágio perfeita. Outros aprendem a gostar das atividades em que começam a estagiar e decidem continuar a carreira na mesma área. Existem também, os mais raros, que não se deixam vencer pelo conformismo ou acaso. E arriscam tudo para mudar de área, mesmo sacrificando uma bolsa auxílio mais polpuda, mesmo com todos falando que é loucura – estes não abdicam dos sonhos, deixam a vocação falar mais alto, e vão em busca de atividades que possam lhes trazer mais prazer no trabalho.

 

Uma coisa é certa: nenhuma pessoa deveria permitir que seus sonhos fossem sufocados pelas necessidades do dia-a-dia. O ser humano não pode ser guiado apenas pelo seu lado racional, cem por cento do tempo, mesmo em termos profissionais, principalmente quando se trata da própria carreira. Por esse motivo, é justo que os jovens, ao ingressarem no mercado de trabalho, tenham em mente suas aspirações – e que também se deixem guiar por elas.

 

A mediocridade que assola o Brasil

Definição do Aurélio para medíocre:

  1. mediano.
  2. sem relevo;comum, ordinário, vulgar,mediano,meão.
  3. pessoa medíocre.
  4. aquilo que é medíocre.

Mediocridade:

  1. Qualidade de medíocre.
  2. Pessoa medíocre.

Mediocrizar: Tornar-se medíocre; vulgarizar-se.

 

 

O Brasil foi tomado de assalto pela epidemia da mediocridade. Estamos mergulhados no caos e na desordem, no mediano, imediato, no confortavelmente fácil. Vivemos em um tempo em que o que interessa é ter, e nos esquecemos de ser – pessoas dotadas de livre-arbítrio, para transformar esse país em um lugar mais interessante de se viver. Sem violência. Sem corrupção. Com mais ética. Com mais responsabilidade perante a sociedade. Com menos vulgarização.

 

Onde está aquele país cujos poetas tinham a coragem de versar suas mazelas? Cujos pintores expunham com cores fortes o orgulho de sua raça mestiça? Cujos escritores preocupavam-se com o humano, acima de tudo? Cujo povo tinha coragem de gritar mesmo amordaçado? Cujos homens e mulheres encontravam-se para gerar a vida, construir um futuro, serem companheiros? Cujas crianças arrastavam-se pelo chão sujo de terra em busca de aventuras, e não arrastadas pela crueldade da violência? Cujas meninas brincavam de casinha com bonecas, e não com bebês de verdade? O que nós fizemos com o Brasil?

 

Nos perdemos enquanto procurávamos um novo caminho em meio a liberdade recém-conquistada. Os pais cansaram-se de dizer não. Os filhos cansaram-se de pensar. O povo cansou-se de brigar, exigir, lutar. Os poetas, esses morreram e outros ainda não nasceram…ou esqueceram-se de do que deviam dizer.

 

Nos perdemos no dia em que alguém disse que ler é aborrecido. Que cultura é algo fora de moda, que música com poesia é para fracos. Que mais importante é manter a forma física, ser bela como a top model das capas de revista. Quem se importa com a voz, se o artista não é belo?

 

Nos perdemos quando o prazer efêmero foi alçado à prioridade de nossas vidas, quando o álcool deixou de ser boêmio e tornou-se corriqueiro, quando trocamos nossos parceiros por alguns gramas de felicidade instantânea em pó…

 

Nos perdemos quando nada mais foi exigido de nós, jovens, além do que decorar fórmulas e códigos, nomes e lugares para o vestibular, sem nos explicar o quanto isso seria – ou não importante – sem nos ensinar decência, justiça, compaixão, amizade. A partir desse momento, somente competir é o que interessa. Essa é a nova regra a que fomos submetidos…

 

Nos perdemos quando disseram que só um diploma seria suficiente para ganharmos o mundo, e conquistarmos a liberdade. Que liberdade, eu pergunto, num mundo em que não podemos ser o que realmente somos, em nossa plenitude, em nossa mais pura essência?

 

Nossos pais brigaram pela democracia, disseram não à ditadura dos generais, brindaram a anistia e exigiram eleições diretas já!

Nossos primos e irmãos mais velhos disseram não à corrupção e sim à ética, pintaram os rostos, tomaram as ruas e derrubaram um Presidente da República.

 

E nós? O que a história registrará daqueles que nasceram durante a década perdida? O que fizemos de relevante? Qual é a nossa marca, aquela que nos identificará pela eternidade? Será justo sermos lembrado pela efemeridade de nossas vidas?

 

A nossa geração não tem rumo nem sentido. Vivemos pelo hoje, e o amanhã? Quem se importa? Vemos a violência espalhar-se como erva daninha e nada fazemos. Vemos a corrupção infiltrar-se em todos os setores da sociedade, e fechamos os olhos, ignorando-a, dizendo que  não há mais nada que possamos fazer.

 

A letargia nos dominou, tanto faz hoje, amanhã, depois. Nosso passado não nos interessa mais, o futuro também não. Pensar, refletir, analisar, interpretar…são verbos que esquecemos de conjugar, banidos do vocabulário diário.

 

Tornamo-nos, a cada dia, um pouco mais medíocres. E não nos temos dado conta disso. Mas hoje eu me rebelei. Não quero fazer parte disso. Não quero ser somente mais uma na multidão. Ser considerada comum, banal, vulgar.

 

Ainda podemos reverter tudo isso. Ainda temos tempo para dar um basta. Nos revoltar. Deixarmos a preguiça de lado. Voltar a pensar.

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