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Questionamentos sobre Liderança e Ambiente de Trabalho

O post de hoje foi elaborado a partir de uma série de questões feitas por ninguém mais, ninguém que menos que a minha mãe…hahahahahahahaha. Para vocês entenderem o contexto, depois de muitos anos fora do mercado de trabalho, ela passou em um concurso público, e há quatro anos convive com os velhos/novos problemas e questões presentes nas empresas. Ela convive com pessoas de origens, formações e gerações diferentes entre si, o que obviamente geram conflitos dos mais diferentes tipos.

Por eu estar envolvida há um tempo considerável com a área de Recursos Humanos, virei uma espécie de consultora particular, hehehehehehehe. Vira e mexe, temos conversas interessantes sobre relações trabalhistas, liderança, resolução de conflitos, etc.

Aí, quando ela viu a minha página no Facebook, ficou toda orgulhosa, e ao mesmo tempo disparou uma série de perguntas. Não sou especialista no assunto, mas vou responder com base na minha experiência e no meu feeling. Se alguém discordar, por favor entrem em contato.

Então, lá vai:

Pooooor exemplo: Até onde um líder de equipe pode chegar para chamar a atenção de um subordinado? Outra pergunta: Como passar adiante problemas no ambiente de trabalho, sem ferir a hierarquia? Como, ao mesmo tempo você mostrar que gosta do seu trabalho, e também reivindicar direito a um ambiente mais sadio? Enfim, vc poderia abordar este tipo de situação: o LÍDER QUE SABE VALORIZAR E QUE SE PREOCUPA COM OS SEUS COLABORADORES. Principalmente aqueles chefes que não são administradores de empresa e não entendem nada de gestão de pessoas. Não é nada pessoal, viu? É mera curiosidade hahaha.

Bom, mãe e demais leitores…

Primeiro, vamos desmistificar essa história que um líder precisa ser necessariamente formado em Administração de Empresas. Eu sou formada em ADM, e já tive líderes com as mais diversas formações. Na realidade, o curso de ADM nos ensina a gerir uma empresa – e com isso, aprendemos sim sobre liderança – e os mecanismos existentes para isso.

A liderança precisa ser aprendida não apenas em sala de aula, mas também no dia-a-dia. Para algumas pessoas, isso é mais fácil, já que essa característica pode florescer desde a infância. Outras características como auto-estima elevada, bom nível de auto-conhecimento, amplo conhecimento técnico e gostar de se relacionar com outras pessoas são fatores fundamentais para exercer uma boa liderança.

Existem diversas teorias sobre liderança, mas não vou me estender sobre elas aqui. Existem líderes democráticos, que estão mais voltados para o resultado do trabaho em equipe, e existem líderes autocráticos, que focam o processo de trabalho em si, e menos nas pessoas. Enfim, o tema é extenso. No fim do post, vou colocar alguns links para quem tiver interesse em se aprofundar no tema.

Resumindo: não há um estilo certo e outro errado de liderança. Tudo depende da empresa, do mercado de atuação, da cultura da empresa. O que um bom líder precisa, antes de tudo, é respeitar os seus subordinados. Mesmo sendo um líder do tipo linha-dura, o respeito é a coisa mais importante na relação líder-liderados. Se um líder respeita as pessoas da sua equipe, será respeitado por elas. Liderança pode ser aprendida, e é responsabilidade das empresas preparar as pessoas para assumir o papel de líder. E nem sempre um bom técnico será um bom líder.

Quanto às outras perguntas da minha mãe…

Como passar adiante problemas no ambiente de trabalho, sem ferir a hierarquia?

Qualquer problema no ambiente de trabalho deve ser reportado, primeiro, ao líder imediato. Uma, duas vezes, ou quantas forem necessárias. Se o líder não tomar providências, ou passar para uma instância mais alta (o gerente ou diretor da área), então cabe ao próprio funcionário levar o assunto adiante, avisando ao líder o que irá fazer. Infelizmente, é uma situação extremamente delicada, que pode acarretar em diversos problemas tanto para o funcionário, quanto para o líder. Mas convenhamos, um líder de equipe, alertado pelos seus funcionários de um problema existente, que não toma providências para solucioná-lo, não merece ser chamado de líder…é papel do líder fazer essa ponte entre a alta gerência e os funcionários da empresa.

Como, ao mesmo tempo você mostrar que gosta do seu trabalho, e também reivindicar direito a um ambiente mais sadio?

Tudo mundo tem direito a um ambiente de trabalho sadio. É um direito estabelecido pela CF/88, nos artigos arts. 5º e 7º (http://www.conjur.com.br/2001-ago-30/empresa_garantir_ambiente_sadio_trabalhador)

Ninguém consegue trabalhar em um ambiente insalubre, que coloca a saúde em risco. Cabe às empresas garantirem que seus funcionários estejam devidamente instalados em seus postos de trabalho, cuidar da ergonomia, da limpeza e também, do bom relacionamento entre as pessoas. Para isso existem as áreas de Segurança do Trabalho e a CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes), que devem ser notificadas quando existir algo que esteja em desacordo com a legislação.

Gostar do trabalho e reivindicar melhores condições no ambiente de trabalho não são coisas incompatíveis. A questão aqui é encontrar uma maneira de dialogar com a empresa. Primeiro, conversar com os colegas de equipe, para verificar se o desconforto é geral. Depois, procurar o líder da equipe (se ele ainda não estiver a par da situação), e solicitar uma análise da área de Segurança do Trabalho e/ou CIPA. Se nada disso resolver, uma solução é procurar o sindicato da categoria, relatar o que está acontecendo e buscar uma resolução junto à empresa. Uma organização que esteja, de fato, preocupada com o bem-estar dos funcionários, e que acredita que isso é fundamental para a excelência nos serviços prestados, provavelmente não deixará que a situação saia do controle.

Links para artigos sobre Liderança

 Quando o líder faz a diferença – Portal RH.com.br

O perfil humano das novas lideranças – Portal RH.com.br

Líder ou RH, quem é o responsável pela Gestão de Pessoas? – Portal RH.com.br

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Decisões de carreira, da escola para o mercado de trabalho!

Eu sempre me interessei por assuntos relacionados à carreira e profissões. Lembro que no 3º ano do colegial (sim, na “minha época” ainda falávamos colegial…rs), o assunto era recorrente, afinal estávamos ás vésperas do vestibular. O ano era 1998, e acreditávamos piamente que um bom curso superior seria suficiente para conquistarmos um ótimo emprego após a formatura. Que o nome da instituição e algum conhecimento de inglês e informática seriam competências suficientes para o mercado de trabalho. Ao menos, era isso o que vendiam para nós – pais, professores, orientadores vocacionais, os vendedores de cursos de inglês e informática que invadiam as escolas (isso ainda existe?) – e que aceitávamos como verdade universal.

Vale lembrar que a disseminação da informação era muito mais lenta que nos dias de hoje (e estamos falando de uma diferença de apenas 14 anos), a internet andava a passos lentos aqui no Brasil. Dependíamos apenas da mídia para ter acesso à informação, que nem sempre era a mais adequada. Revistas como Veja e Istoé apenas replicavam o que os gurus de plantão achavam mais adequado disseminar para uma nova geração que estava pleiteando a entrada na vida adulta e no mercado de trabalho.

Eu não consigo me lembrar de alguma matéria que tenha explorado, por exemplo, qual era o comportamento adequado para um jovem que estivesse iniciando sua vida profissional. Para isso, contávamos com a experiência dos mais velhos, mas eles já pertenciam a outra geração, os valores estavam mudando, as exigências do mercado de trabalho eram outras…e aí?

E aí que fomos obrigados a amadurecer. Entramos na universidade,  e isso, para muita gente da minha geração, foi um grande avanço frente aos pais e avós, que passaram muito longe de conquistar um diploma universitário. E foi justamente dentro dos muros da universidade, que começamos a perceber que o “buraco” era mais embaixo. Apenas ser universitário, saber informática e inglês não era mais suficiente. As empresas precisavam de pessoas pró-ativas, empreendedoras e motivadas…hein? Por que ninguém nos ensinou isso na escola? Tivemos que aprender sozinhos. E muita gente se perdeu pelo caminho, e mesmo com o diploma na mão, não alcançou o tal sucesso que foi prometido lá atrás – no final dos anos 90.

Houve dias em que eu pensei que estivesse me perdendo. Eu dava voltas e não conseguia sair do mesmo lugar. Tudo bem que minha escolha profissional, a área de Recursos Humanos, era incompatível com o lugar onde eu morava. São José dos Campos e o Vale do Paraíba não parecem ser os lugares mais amigáveis para profissionais dessa área…tive que sair da zona de conforto (diga-se, casa dos pais no interior), vir para a capital, quebrar a cara bonito (é só ler aqui) e ralar, ralar, ralar muito para finalmente poder dizer que me encontrei profissionalmente.

Então hoje, já formada, pós-graduada, com uma carreira, se não consolidada, mas pelo menos muito bem encaminhada, eu me pergunto onde eu acertei. Com certeza não foi sorte, nem a mão do destino. Eu precisei engolir muito sapo, aprender a receber feedbacks nem sempre amigáveis de chefes e colegas, estudar bastante, ler muito sobre a carreira que escolhi, tentar me manter o mais antenada possível. E sim, o inglês continua indispensável. E acrescente-se a ele o espanhol ( e sem brincadeira, tem empresa que dá mais importância para a língua dos nossos hermanos do que para a da Rainha Elisabeth), mais conhecimento de informática, tecnologia, redes sociais, etc, etc, etc.

Eu não quero, com isso, dizer que sou um exemplo a ser seguido, muito pelo contrário. Tenho muito a corrigir ainda – e quem não tem? Mas gostaria de deixar registradas essas dicas, para o pessoal que ainda está amadurecendo profissionalmente, e também para quem está a fim de dar uma guinada na carreira. Muito que escrevo tem como base pura e simplesmente as minhas percepções do mundo, embasadas com um pouco de teoria e bom senso.

  •  Apenas o que aprendemos na faculdade ou pós não é suficiente. Ao contrário do final dos anos 90, hoje a informação está ao alcance de um clique. Podemos nos inteirar de um determinado assunto com uma simples pesquisa no google, acessando blogs, páginas de revistas especializadas, artigos acadêmicos, etc. Basta aprender a filtrar as fontes, buscar por autores já consagrados em sua área de atuação (nisso, os professores da faculdade e pós-graduação, ou do curso de inglês e espanhol podem ajudar), e um mundo de informação e conhecimento estará disponível.
  •  Idiomas, quando mais cedo começar, melhor. De novo, a internet pode ser uma grande aliada para quem precisa aprender, intensificar o aprendizado ou apenas manter o conhecimento do idioma. Em alguns momentos da carreira, principalmente logo após a conclusão da faculdade, é muito mais interessante e barato investir dois ou três anos no aprendizado de um idioma estrangeiro, do que ingressar em uma pós-graduação.
  • E por falar em pós-graduação, fazer esse investimento, que não é nada barato, só vale a pena depois que o profissional já alguma experiência na área em que pretende se especializar. Vi muita gente que se formou no mesmo ano que eu ingressar na pós no ano seguinte, e continuar sem emprego simplesmente porque não tinha nenhum tipo de experiência…
  • E como conseguir experiência??? Estágio, estágio e estágio. Simmmm, ralar muito como estagiário, aproveitar essa fase onde podemos experimentar, trocar de área, buscar coisas novas. Ao contrário do mimimi que ouvimos por aí, se o estágio for realizado em empresas sérias, comprometidas com o aprendizado do estudante, a experiência conta sim, e muito. Mas também não vale ser estagiária de consultório dentário e ficar atendendo telefone o dia todo, durante os quatro anos de faculdade, ok? Estágio não é apenas para garantir a bolsa que irá financiar a mensalidade da faculdade, é para aprender a trabalhar na profissão que escolheu.

Há muito ainda a ser dito sobre esse assunto.  Nos próximos posts, vou tentar explorar um pouco o assunto “Empregabilidade”, e como isso afeta a nossa relação com o emprego e o mercado de trabalho.

Até breve!!!

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