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Reflexões sobre Gestão de Carreira e Geração Y

Já estou na terceira semana da Pós Graduação, e posso dizer que até o momento estou bastante satisfeita com o nível das aulas e a troca/aprendizado em sala. Iniciamos o curso com duas disciplinas – Modelos de Gestão e Gestão de Carreira e Empreendedorismo.

Hoje, quero falar dessa última, pois é um tema que me atrai há anos e agora estou tendo a oportunidade de discutir o assunto mais profundamente. E, importante, a professora – Cintia Menegazzo, consultora em Gestão de Pessoas – sabe do que está falando.

 Falar de carreira é complicado, ainda mais quando se trata da nossa – e a Cintia partiu da premissa que, se não conseguimos gerenciar nossa própria carreira, como iremos aplicar o conceito em nossas empresas? Assim, desde a primeira aula, temos refletido muito sobre o rumo que estamos seguindo e para onde realmente queremos avançar em termos de carreira, emprego e trabalho. Se queremos continuar empregados ou empreender, permanecer na zona de conforto ou se arriscar.

 Na última terça-feira, falamos muito sobre a chamada Geração Y – pessoas que nasceram a partir de 1980 e que cresceram junto com o boom tecnológico e popularização da internet e que têm modificado sensivelmente as relações de trabalho nas empresas. Para mim, esse termo já não é novidade, até porque eu, aos vinte e nove anos de idade, faço parte dessa geração. E mesmo carregando as várias características típicas de um Y, ainda assim guardo algumas da geração anterior. Questionei, então, porque isso ocorre, e a resposta me surpreendeu bastante.

 Segundo a Cíntia nos explicou, os jovens da Geração Y podem se diferenciar em pelo menos três grupos distintos:

Conservadores, que têm/tiveram uma base familiar mais conservadora, pais “superprotetores”, e que por isso ainda carregam algumas crenças da geração anterior (X). 

 Liberais, que nasceram/cresceram em modelos familiares alternativos – pais separados, homossexuais, adolescentes, mães solteiras, etc., e por isso tendem mais a pensar “fora da caixa”, ou seja, são mais ousados e provavelmente, mais empreendedores.

Internautas, ou o que costumávamos chamar de “nerds”, os viciados em internet e tecnologia, conseguem encontrar solução para quase tudo utilizando a rede.

É óbvio que não podemos generalizar e dizer que quem cresceu numa família mais tradicional vai ser sempre “quadradinho” e o cara que foi criado somente pela mãe será sempre o “maluco” que virou dono de empresa .com aos 20!!! Como tudo o que se refere ao comportamento humano, acredito fortemente que em vários indivíduos da Geração Y essas características se mesclam e se completam.

Como ainda não sou expert no assunto – e aqui só estou relatando minhas impressões iniciais sobre este tema – vou colocar alguns links de artigos sobre a Geração Y:

Blog da Cintia Menegazzo

 Endeavor – Como a geração Y está reinventando o jeito de fazer negócios

 Administradores.com.br

 Por enquanto, meu cérebro está fervilhando de idéias – novas e antigas. Se antes de começar a estudar o tema, eu já me “perdia” em projetos e devaneios para minha carreira, agora a “coisa” vai pegar fogo…rsss…aguardo ansiosamente as cenas do próximo capítulo!!!

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Olhai os lírios do campo

“Poucos livros me marcaram como Olhai os lírios do campo, de autoria de Erico Veríssimo. De uma história de amor  aparentemente banal, surgem diversas lições de vida, que deveriam ser absorvidas por todos que realmente desejam fazer do nosso mundo um lugar melhor para se viver.

O que esse livro tem a ver com Recursos Humanos?

Tudo! Porque acima da “história de amor”, está a personagem Olívia – humana, extremamente humana. Batalhadora. Que trabalha duro, passa por cima de todas as convenções sociais para se tornar médica – isso nos anos 30. E que não desiste diante de nenhum obstáculo. Sua maior ambição é melhorar o mundo, fazendo o que está ao alcance de suas mãos. Em uma época que não existiam os termos Responsabilidade Social, Qualidade de Vida e Sustentabilidade, Olívia faz um discurso lindo em sua derradeira carta ao amante, Eugênio, exaltando as virtudes do trabalho, entre outras lições de vida.”

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Meu querido: o Dr. Teixeira Torres acha que a intervenção deve ser feita imediatamente e daqui a pouquinho tenho que ir para o hospital. Não sei porque me veio a idéia de que posso morrer na mesa de operações e aqui te estou escrevendo porque não me perdoaria a mim mesma se me fosse embora desta vida sem te dizer umas quantas coisas que não te diria se estivesse viva.

Há pouco sentia dores horríveis, mas agora estou sob a ação da morfina e é por isso que encontro alguma tranqüilidade para te escrever. Mas estarei mesmo tranqüila? Acho que sim. De certo é a esperança de que tudo corra bem e que daqui a quinze dias eu esteja de novo no meu quarto, com a nossa filha, e, meio rindo e meio chorando, venha a reler e rasgar esta carta, que então me parecerá muito tola e ao mesmo tempo muito estranha.

Quero falar de ti. Lembras-te daquela tarde em que nos encontramos nas escadas da Faculdade? Mal nos conhecíamos, tu me cumprimentaste atrapalhado, eu te sorri um pouco desajeitada e cada qual continuou o seu caminho. Tu naturalmente me esqueceste no instante seguinte, mas eu continuei pensando em ti, e não sei porquê, fiquei com a certeza de que havias de ter uma grande, uma imensa importância na minha vida. São pressentimentos misteriosos que ninguém consegue explicar.

 Hoje tens tudo quanto sonhavas: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugênio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo subindo as escadas do edifício da Faculdade, envergonhado da sua roupa surrada. Continua em ti a sensação de inferioridade (perdoa que te fale assim…), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma pontinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há-de nascer o novo Eugênio.

 Uma noite me disseste que Deus não existe, porque em mais de vinte anos de vida não o pudeste encontrar. Crê que nisso se manifesta a magia de Deus. Um Ser que existe mas é invisível para uns, e mal perceptível para outros e de uma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou para os que adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou da profunda compreensão da vida.

 Dia virá em que nalguma volta do teu caminho hás-de encontrar Deus. Um amigo meu, que se dizia ateu, nas noites de tormenta desafiava Deus, gritava para as nuvens, provocando o raio. Deus é tão poderoso que está presente até nos pensamentos dos que dizem não acreditar na sua existência. Nunca encontrei um ateu sereno. Eles se preocupam tanto com Deus como o melhor dos deístas.  O argumento mais fraco que tenho contra o ateísmo é que ele é absolutamente inútil e estéril; não constrói nada, não leva a coisa nenhuma.

Se soubesses como tenho confiança em ti, como tenho a certeza na tua vitória final…

 Deixo-te Ana Maria e fico tranqüila. Já estou vendo vocês dois juntos e muito amigos, na nova vida, caminhando de mãos dadas. Pensa apenas nisto: há nela muito de mim e principalmente muito de ti. Ana Maria parece trazer escrito no rosto o nome do pai. É uma marca de Deus, Genoca, compreende bem isto. Vais continuar nela: é como se te fosse dado modelar, com o barro de que foste feito, um novo Eugênio.

 Quando eu estava ainda em Nova Itália, li muitas vezes o teu nome ligado ao do teu sogro, em grandes negócios, sindicatos, monopólios e não sei mais quê. Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles se esquecem do que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

 Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues na minha Bíblia, que está na estante de livros, perto do rádio, e leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar nesse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu com um deles. Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar de papo para o ar, esperando que tudo nos caia do Céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Mas precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do Céu.

 Não penses que estou fazendo o elogio do puro espirito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”.

 Há na Terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo. Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, do espirito de cooperação. E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do Mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há-de levar.

 Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade. E de homens fortes como esse teu amigo Filipe Lobo, que seria um campeão da nossa causa se orientasse a sua ambição, o seu ímpeto construtor e a sua coragem num sentido social e não apenas egoisticamente pessoal.

 Não sei, querido, mas acho que estou febril. Este entusiasmo, portanto, vai por conta da febre. Ouço agora um ruído. Deve ser a ambulância que vem buscar-me. Senti um calafrio e parece que a minha coragem teve um pequeno desfalecimento. Estás vendo o tremor da minha letra? É que sou humana, Genoca, profundamente humana, tão humana que te confesso, corando um pouco (apesar dos trinta anos e da profissão), que antes de ir para o hospital eu quisera beijar-te muito e muito.

 Ana Maria fica com D. Frida. Sei que, depois, se eu morrer, virás buscá-la para a nova vida.  Reli o que acabo de escrever. Estou fazendo um es forço para não chorar. Tolice! Espero que tudo corra bem e que dentro de duas semanas eu esteja queimando esta carta, que já agora me parece um pouco melodramática.

 Antes que esqueça: na gaveta da cômoda há um maço de cartas que te escrevi de Nova Itália expressamente para não te mandar”. Agora, podes lê-las todas. Não encontrarás nada do meu passado, do qual nunca te falei e sobre o qual tiveste a delicadeza de não fazer perguntas. É pena. Gostaria que soubesses tudo, que visses como a minha vida já foi feia e escura e como lutei e sofri para encontrar a tranqüilidade, a paz de Deus. Adeus. Sempre aborreci as cartas de romance que terminam de modo patético. Mas permite que eu escreva

 Tua para a eternidade,

 Olívia.

 Érico Veríssimo – OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

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