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Uma história real de conquista e decepção

O relato que vocês lerão mais abaixo é verídico e aconteceu comigo. O intuito deste texto não é me fazer de vítima, mas sim expor uma situação constrangedora e que pode acontecer a qualquer pessoa que, assim como eu, resolveu sair da zona de conforto e buscar uma nova oportunidade profissional. Por uma questão de ética, vou omitir os nomes da empresa e pessoas envolvidas nesse processo. Afirmo apenas se tratar de uma organização multinacional de tecnologia, sediada em São Paulo – Capital.

 

O processo iniciou-se em 31 de Março de 2009, quando recebi um recado pelo Inbox do LinkedIn, da Analista de Recrutamento & Seleção da empresa, informando que havia uma vaga de Analista de Recursos Humanos adequada ao meu perfil profissional. Na mesma hora respondi a mensagem e poucos minutos depois, já estava ao telefone com essa profissional, agendando uma entrevista para dali dois dias.

 Na manhã do dia 02 de Abril me desloquei de São José dos Campos (onde eu trabalhava e residia) para São Paulo, a fim de participar da entrevista, primeiramente com a Analista de R&S, e em seguida, com o Diretor de Recursos Humanos, extremamente simpático, que conduziu a entrevista de forma bastante informal. Confesso que saí de lá bastante impressionada e torcendo para ser selecionada.

 No mesmo dia, a selecionadora me ligou para marcar a entrevista seguinte, dessa vez com o Diretor de Recursos Humanos para América Latina e me antecipou que ele não fala português. Ou seja, a entrevista seria conduzida ou em espanhol (que apenas entendo, mas não falo) ou em inglês, o que obviamente foi nossa escolha (minha e do diretor), quando nos encontramos na segunda-feira seguinte, dia 06 de Abril.

 Ainda neste dia (06/04), me ligaram novamente da empresa, desta vez para agendar a derradeira entrevista, com a Diretora de Talentos, uma norte-americana, por telefone, ainda naquela semana. Nesse momento, fiquei realmente nervosa. Nunca havia conversado com alguém, em inglês, ao telefone. Ainda mais fazer uma entrevista que definiria minha admissão ou não para aquela vaga. Preparei-me como nunca havia feito antes, porque eu queria muito aquele emprego. E meu empenho foi recompensado, porque menos de duas horas depois da entrevista por telefone, fui comunicada que estava aprovada para a vaga. O emprego era meu.

 Óbvio que me senti nas nuvens. Afinal, eu acabara de conquistar tudo o que eu buscava desde a minha graduação. Não seria mais estagiária nem terceirizada, finalmente era efetiva, dentro de uma área de Recursos Humanos, com grandes perspectivas de crescimento. Essa era a minha expectativa e também o que todos os profissionais envolvidos naquele processo me venderam. Que aquela era uma empresa em franco crescimento e oportunidades para os profissionais não iriam faltar, desde que se dedicassem com afinco ao trabalho.

 Compareci à empresa no dia 09/04, véspera de feriado, para assinar a carta-oferta e levar os documentos necessários para minha admissão, que seria efetivada em 28/04. Nesse mesmo dia, fui informada que o simpático diretor que me entrevistara na semana anterior, havia pedido demissão, e que,  para a posição dele, a empresa contratara uma Diretora, com vasta experiência em Gestão de Pessoas em empresas multinacionais. E detalhe, ela também seria admitida na mesma data que eu. Recebi a notícia de forma natural. Curiosamente, na empresa onde eu ainda trabalhava (e da qual iria pedir demissão logo depois do feriado), isso também havia acontecido (ser admitida junto com o chefe) e desenvolvi um excelente relacionamento com o meu coordenador. Embora nunca tivesse respondido diretamente ao nível executivo, imaginei que poderia repetir a história.

 Viajei durante o feriado de Páscoa com o meu namorado e um animado grupo de amigos e comemoramos bastante o meu novo emprego e o fato de que me mudaria para São Paulo. De volta a São José dos Campos, na segunda-feira, pedi demissão e comecei o processo de mudança, principalmente encontrar um lugar bacana e próximo ao trabalho, para morar.

 Em 28 de Abril, já instalada na Capital, ingressei na empresa. Fui muito bem recebida, pessoas simpáticas e amáveis. E logo conheci minha chefe, a nova Diretora Executiva de Recursos Humanos. Conversamos pouco naquele dia – assim como eu, ela também precisava entender o funcionamento da organização. E lógico que, na posição dela, isso era muito mais complexo.

 Nos dias que se seguiram, eu procurei me aprofundar na cultura da empresas e entender como funcionavam os processos (que se mostraram bastante complexos, ao menos para mim).  Além disso, procurava interagir com os demais profissionais da equipe e, ao mesmo tempo, atender a todas as solicitações da Diretora.

 E atender à essas solicitações se tornou a minha rotina naquelas semanas. Cada caso diferente que aparecia, ela pedia (ou exigia) que eu explorasse o assunto até o fim, e encaminhasse todas as informações a ela. Mas conversávamos muito, muito pouco. Fora os e-mails diários e alguns  telefonemas (quando ela não estava na empresa), o nosso contato era quase nulo. Já que éramos duas novatas dentro da organização, imaginava que o óbvio, naquela situação, seria dividir, discutir tudo o que estávamos descobrindo e juntas encontrarmos o nosso caminho. Mas isso não acontecia e eu tinha dúvidas se eu deveria tomar a iniciativa e procurá-la para saber o que ela esperava do meu trabalho…

 Então, começaram as entrevistas. De seleção, para a área de Recursos Humanos. Sem consultar a área de Seleção,  convocou diretamente alguns candidatos para uma vaga que ninguém sabia qual era, mas que gerou diversas especulações na empresa.

 E enquanto isso, eu tentava conduzir o meu trabalho da melhor forma possível, embora o clima entre todos os colaboradores do RH estivesse péssimo. Tudo porque faltava clareza nas atitudes da Diretora – ninguém entendia ao quais eram as pretensões dela dentro da empresa. Eu evitava dar ouvidos à famosa rádio-peão, e mesmo quando soube, por terceiros, que ela ainda “não havia definido a equipe dela”, tentei racionalizar, e assumi que ela iria expandir o departamento de RH com a contratação de mais um profissional, talvez um coordenador. Isso seria lógico dentro do contexto da empresa, afinal estávamos em crescimento acelerado. E não é exatamente isso o que se espera de uma área de Recursos Humanos, estratégica e atuante? Acompanhar o crescimento da empresa e dar suporte às estratégias da organização? Ao menos ela fora contratada para isso… e até o dia 29 de Maio de 2009 eu acreditava que eu também faria parte de todo esse processo…

 Porque foi nesse dia, aproximadamente às 13h30min (logo após o intervalo do almoço), que toda a minha expectativa, construída naqueles últimos dois meses, desmoronou, quando ela me comunicou, incisivamente, que eu estava demitida. Que não havia espaço na organização, em face de toda estratégia que ela estava montando, para uma profissional com o meu perfil. Naquele momento, eu estava sendo descartada como se fosse mais um equipamento sem qualquer utilidade. Ela não enxergou ali um ser humano, mas sim uma coisa que precisava ser eliminada por ocupar sem necessidade um espaço útil. 

 Eu tive poucos minutos para recolher meus pertences e ir embora. Era uma sexta-feira, fazia muito frio e nunca me senti tão perdida e sem rumo como naquele dia. Até que eu reuni coragem suficiente para ligar para minha mãe, a única pessoa com quem eu queria falar naquele momento. Quando o chão sumiu debaixo dos meus pés, ela e o restante da minha família foram os únicos que realmente conseguiram me trazer algum consolo…

 Depois de dez dias, ao receber as verbas rescisórias, contatei a empresa para buscar a documentação para saque do FGTS. E foi quando eu soube que, na quarta-feira seguinte à minha demissão, a minha vaga já estava ocupada por outra Analista. E que essa pessoa já havia trabalhado anteriormente com essa Diretora de RH…

 Tudo o que posso fazer agora é dar a volta por cima. Não está sendo fácil, porque o sentimento de frustração é forte. Além do mais, é constrangedor para eu admitir que permaneci apenas um mês em uma empresa e fui demitida. Isso nunca havia acontecido antes e fico extremamente preocupada como isso vai ser visto pelos selecionadores que estão recebendo o meu currículo.

 Eu ainda não sei que lições eu vou tirar de toda essa história. Na hora em que fui demitida, tudo o que consegui argumentar era que havia pedido demissão de um emprego estável, onde dificilmente seria desligada por iniciativa da empresa, deixei família e todo o conforto de morar com os pais para buscar uma nova vida, tanto profissional quanto pessoal. Mas do outro lado da mesa havia apenas alguém preocupada com estratégias, números e lucro. Será que cometi algum erro grave durante aquele mês de maio? Eu realmente não sei dizer. 30 dias, em minha opinião, é tempo insuficiente para avaliar o trabalho e o perfil de alguém. Só posso dizer que essa pessoa passou pela minha vida apenas para mostrar o tipo de profissional que eu não pretendo ser.

Se para ocupar um cargo de liderança algum dia, eu precisar passar por cima de outras pessoas, assim como ela fez comigo, então prefiro continuar onde estou e permanecer com a minha consciência tranqüila…

Experiência, o que é ter experiência?

“O texto a seguir é de autoria da Cláudia Medeiros, publicado originalmente na comunidade Recursos Humanos, do Orkut. Além de desabafo, serviu para uma interessante discussão a respeito de um dos grandes paradoxos do mercado de trabalho: a porta de entrada para o mundo profissional dos universitários se dá, em sua grande maioria, por meio dos estágios realizados ao longo da gradução. No entanto, ao se formar, o jovem percebe que as empresas não valorizam a experiência adquirida, e exigem que a mesma seja comprovada por meio da Carteira de Trabalho, registro oficial da “experiência”. Então, fica a questão da minha xará – afinal, o que é ter experiência?”

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Experiência s.f. do Lat. Experientia
Ato ou efeito de experimentar;observação;experimentação;ensaio;prova; tentativa;a prática, por oposição à teoria;habilidade e perícia adquiridas com o exercício de uma arte ou ofício;conhecimentos resultantes de vivencias subjetivas;soma de conhecimentos

As pessoas ao logo de nossas vidas, sejam professores, pais, amigos entre outros reproduzem um discurso BLASÉ de que os melhores sobrevivem no mercado, desde que tenham conhecimento, habilidades e atitudes, que o esforço é recompensado, de que isso, de que aquilo.


Estudei na faculdade (pelo menos em administração e principalmente na minha área de interesse acadêmico – RH) de que temos que estabelecer um perfil profissional captando e retendo as melhores pessoas. Que, ao achar uma pessoa no perfil desejado, independente de experiência ou não, a organização pode e deve moldá-lo buscando extrair do indivíduo o seu melhor desempenho.

 

Então vamos treiná-lo, acompanhá-lo, dar a ele feed back constantes, motivá-lo, oferecendo-o um ambiente bom de se trabalhar, um clima organizacional estável onde ele se sinta parte da organização e que seus valores sejam similares ao da empresa, em suma, fazer com esse profissional venha a performar dentro da organização.

                                                                      
Espera-se que um profissional de RH tenha esse olhar clinico, que a área de RH da empresa deva ser uma área estratégica, uma vez que é a área responsável pelo equilíbrio entre os interesses do empregador e do empregado. Deve o profissional dessa área, ter um conhecimento amplo do negócio, deve ter a visão Macro da organização e não se fechar num mundo de rotinas onde as obrigações sejam voltadas apenas ao ajuntamento de papeladas de folha de pagamento, férias e organização de festinhas. O RH é muito mais que isso.


Foi isso que aprendi na faculdade e convivo ao logo de 18 meses na empresa na qual realizo um programa de estagio em RH.  Durante esses 18 meses aprendi o que é transformar uma simples área de RH em uma área Estratégica. Conseguimos (toda a equipe) ser reconhecidamente a melhor área de RH da regional da qual fazemos parte, foi gratificante participar da elaboração de um plano de ação que nos fez saltar de um índice de 64% de satisfação com a unidade para um score de 98% (pesquisa de clima e cultura). Consegui (essa é minha responsabilidade) bater 100% das metas de treinamento, cumprir 100% dos prazos e da gestão dos processos trabalhistas, cumprir 100% em dia e em ordem as tarefas das rotinas administrativas e ser auditada nos meus produtos e ter 0% de dispersão, 100% de conformidade. Ou seja, fizemos de 2008 um ano campeão.

 

Por uma contingência de pessoas, frente à crise que assola o Brasil e o mundo, eu não poderei ser efetivada, e é nesse cenário que começa minha saga.


26 anos, 9 meses de experiência como estagiaria no setor de eventos em uma organização, a convite fui estagiar por 9 meses no setor de recuperação de crédito e atendimento a clientes em outra organização.


Surgiu a oportunidade de ouro, a realização de um sonho. Estagiar numa multinacional, na minha área de interesse, RH. Ganhando quase a metade do valor da bolsa que o estagio no banco me pagava, larguei tudo e fui viver essa experiência. Ao longo desses meses, o aprendizado foi ímpar como relatado no inicio do texto, mas dado o cenário que agora se configura, tive de partir à procura de emprego, de um trabalho formalizado de acordo com a CLT, visto que há 3 anos trabalhava duro, mas sem as “garantias” que um trabalho formal dá ao cidadão.

 

Sempre imaginei que a experiência profissional nada mais era que a prática, que as habilidades resultantes do exercício contínuo da minha profissão, porém o que vejo agora não é nada disso.


Ao sair à procura de emprego vejo que pouco do que relatei é levado em consideração: habilidades e aptidões, conhecimento e EXPERIÊNCIA. O que exigem é uma carteira assinada que em nada comprova o exercício da função.
Mesmo possuindo toda a documentação que comprova o exercício de minha função, tempo de experiência bem como as atribuições e atividades desenvolvidas por mim na empresa, não consigo nem ao menos a indicação para participar de algum processo seletivo. Por quê?
Por que eu não tenho experiência!
Então eu pergunto…
O QUE È TER EXPERIÊNCIA?

 

Autoria:Cláudia Medeiros – estudante de Administração de Empresas

 

 

Seleção de Pessoal: porque é tão difícil ser respeitado quando se procura emprego?

Ao longo da minha curta carreira profissional – cerca de oito anos, desde o primeiro emprego – tive a oportunidade de participar de inúmeros processos seletivos, desde vagas de auxiliar administrativo, depois estágios e por fim, posições de analista.

A jornada começou quando completei 18 anos, concluí o ensino médio, e saí para o mundo, em busca do primeiro emprego. Então, de porta em porta, de agência de emprego em agência de emprego, comecei a ter contato com os selecionadores de pessoal. Vejam bem, nada tenho contra esse profissional, muito pelo contrário. Afinal, eles são pagos para receberem nossos currículos, fazer a triagem e a entrevista inicial. Verificar se o perfil do candidato se encaixa com o perfil da vaga. Nada simples, considerando que lidam diretamente com pessoas e suas expectativas profissionais e, muitas vezes, de futuro.

 Mas estou me adiantando. Voltando ao começo, eu, sem experiência nenhuma no mercado de trabalho, era vista como um ninguém…o destino do meu currículo, quase sempre, era a famigerada pilha – enorme – que muito provavelmente iria para o lixo no fim do dia…paciência, eu ainda não conhecia as regras do jogo.

O primeiro emprego veio – por indicação -, adquiri experiência, me qualifiquei, entrei para a faculdade, hora de alçar novos vôos. Então, um dia decidi que era hora de enfrentar o mercado novamente, e saí distribuindo os meus currículos. Naquela “época” – meados de 2001 – internet era um luxo, que eu podia utilizar somente aos finais de semana. Ou seja, nada de procurar emprego pela web. No máximo, utilizava o computador para encaminhar os currículos por email, quando solicitado no anúncio do jornal.

Um novo emprego, depois o primeiro estágio. O segundo, consegui por meio de um processo seletivo acirrado. Trabalho de primeira categoria, consultoras competentes, sempre fornecendo feedback das etapas. Infelizmente, por uma contingência, meu contrato não foi renovado ao final do primeiro ano. Ou seja, estava mais uma vez disponível no mercado, para enfrentar o último estágio e concluir a minha graduação.

Concluída a faculdade, hora de conseguir um emprego de verdade. Não era o primeiro – afinal, eu já tinha um registro em carteira – mas seria de fato o início da minha carreira como administradora de empresas, atuando na área de recursos humanos/departamento de pessoal – assim mesmo, era (ainda é) o que constava em meu currículo.

Foi então que eu percebi que o mercado de trabalho pode ser extremamente cruel, que três anos de experiência em estágio, para muitas empresas nada significa e, por fim, lidar com o mau humor e indiferença dos selecionadores. Nesse período – começo de 2005 – foram várias as situações, que considero constrangedoras, pelas quais eu passei:

– Em uma agência, ao deixar o currículo, a recepcionista perguntou minha pretensão salarial. Respondi que era em torno de R$ 1.200,00 – afinal, era a média salarial para um Analista de Pessoal Jr – e ela riu – sim, ela riu da minha “pretensão” em querer ganhar um salário, que afinal não era nenhum absurdo – tendo como experiência apenas “estágios”. Saí de lá me achando um lixo…

– Quando fui fazer uma entrevista no escritório de uma grande rede de lojas femininas, peguei um ônibus errado, me perdi e cheguei cinco minutos atrasada. A gerente me deixou esperando quase duas horas, para depois me atender de mal-humor, perguntar por que me atrasei, e fazer uma “entrevista” de cinco minutos. Nunca me deu um único retorno, nem mesmo para dizer que não aceitava candidatos atrasados. Se ela achou um absurdo o meu atraso, porque simplesmente não mandou a recepcionista me dispensar?

– Depois, fiz uma entrevista para uma vaga temporária, e a selecionadora virou para mim e perguntou se eu estava participando de mais algum processo seletivo. Ora, estando desemprega, era óbvio que sim, não? Não sei se foi a resposta positiva, mas depois dessa entrevista, nunca mais deram retorno da vaga…

Foram apenas dois meses de procura. Por fim, consegui um emprego – não o dos meus sonhos, mas o que me aliviou um pouco financeiramente – depois outro, no qual permaneci por quase três anos. No último ano nessa empresa – entre 2007 e meados de 2008, comecei a buscar uma nova oportunidade, principalmente por causa do salário. E lá vou de novo – dessa vez experiente e com muito mais traquejo para lidar com situações inesperadas. Nesse período as “pérolas” foram as seguintes:

– A selecionadora me ligou, de uma consultoria de São Paulo/Capital, para uma vaga nessa cidade. Perguntou qual era o meu salário atual e qual a minha pretensão. Ora, o meu salário estava completamente defasado em relação ao mercado. E se tem algo que aprendi, é que sempre devemos informar uma pretensão um pouco mais alta do real, para termos margem para negociação. Foi o que fiz, e informei um valor que era quase o dobro do meu salário – mas o valor real de mercado para uma posição de Analista Pleno – e sou obrigada a ouvir o seguinte: “Nossa, mas isso é o dobro do seu salário!!! Por que você quer ganhar tanto? O meu cliente está oferecendo um valor próximo ao seu salário atual.” – Minha reação inicial foi responder “não é da sua conta o quanto quero ganhar”, mas não achei educado…com sangue-frio, respondi: “eu conheço o mercado, sei quanto está valendo esse cargo em São Paulo, e o valor que o seu cliente está oferecendo é ridículo, portanto não me interessa…eu sei que mereço ganhar o que estou pedindo”. Ok, nunca mais me ligaram dessa consultoria (e olha que é uma relativamente famosa), mas ao menos consegui me posicionar.

– Participei de um processo seletivo para uma fábrica daqui da região de São José dos Campos. Salário excelente, benefícios idem, era o emprego dos meus sonhos. Fui bem na entrevista e a gerente me informou que em uma semana, dariam o retorno. Esperei ansiosamente uma semana. Depois de dez dias de silêncio, liguei para a consultoria. Me pediram para aguardar mais alguns dias, pois a empresa ainda estava entrevistando outros candidatos, mas eu ainda estava no processo. Mais quinze dias, liguei novamente. Sim, o processo ainda estava aberto…sim, eu continuava participando, mas tivesse paciência. Não liguei mais e desencanei. Mas eis que quatro meses depois (!!!), uma ex-colega liga para nós, no escritório, e nos comunica, toda feliz, que havia sido aprovada para a tal vaga, na tal empresa!!! Em menos de uma semana ela fez a entrevista na consultoria, depois na empresa e por fim, conseguiu a vaga. Não tiro o mérito dessa pessoa – ela tinha mais experiência e qualificação que eu, reconheço – mas não me conformei com o descaso por parte da consultoria, de nunca ter me comunicado que eu estava fora do processo. Foram meses aguardando um retorno que nunca veio. Quando eu soube disso tudo, liguei para a consultora, e ela, extremamente antipática, me informou que a vaga só havia sido fechada naquele dia, e que eu seria comunicada por e-mail – que nunca chegou à minha caixa postal.

– No mesmo condomínio empresarial onde eu trabalhava, instalou-se uma famosa empresa de call center. Fui chamada duas vezes para fazer entrevista. Na primeira vez, depois de passar a manhã fazendo uma bateria de testes, aguardei mais de duas horas para passar pela entrevista com a psicóloga. Então ela me informou que precisavam de uma pessoa com disponibilidade total de horário para trabalhar, inclusive de madrugada, finais de semana e feriados. Educadamente, declinei da oferta. Meses depois, me chamaram novamente. Queriam que eu fizesse todos os testes novamente, mas me recusei. Por fim, acharam o meu processo anterior, e me pediram para aguardar até a gerente, que iria me entrevistar, sair de uma reunião. Aguardei meia hora, procurei a responsável pela seleção. Ela me informou que a tal reunião iria durar a manhã inteira. Dessa vez, não disse nada. Simplesmente saí da empresa, voltei ao meu trabalho e prometi a mim mesma nunca mais responder a nenhum anúncio dessa empresa. Foi o cúmulo do desrespeito a um profissional.

Por fim, acabei sendo demitida em meados de 2008. Aproveitei a dupla dinheiro no bolso + tempo livre – coisa inédita em minha vida – e fui viajar. Passei um mês estudando inglês na África do Sul, minha primeira experiência no exterior, uma lição de vida para mim.

Na volta, adivinhem só…novamente no mercado, procurando emprego. Mas dessa última vez acredito que amadureci, profissionalmente, o suficiente para não me deixar abater pelas situações que considero absurdas.

Mas ainda assim, eu gostaria de entender o que se passa com profissionais que estão na linha de frente da seleção de pessoal de empresas dos mais diversos portes, e que são incapazes de tratar com um pouco mais de dignidade profissionais em busca de uma nova colocação.

Por que é tão difícil:

– Serem menos arrogantes?

 – Ler e interpretar o currículo, antes de ligar e fazer perguntas óbvias (por exemplo: “você tem experiência em todas as rotinas de DP”? sendo que essa é a primeira informação do meu currículo)

 – Ouvir com atenção a pretensão salarial do candidato, e educadamente informar que o oferecido é um valor inferior, e agradecer a atenção?

– Explicar educadamente como se faz para chegar ao local da entrevista e, se possível, fornecer um mapa por e-mail, ou informar a linha de ônibus? – Não fazer o candidato esperar – afinal, mesmo que ele esteja desempregado, isso não significa tempo livre a ser desperdiçado em salas de espera?

– Ouvir o candidato com atenção, olho no olho? O texto ficou longo, mas ele estava a meses esperando para ser escrito.

Porque eu leio depoimentos aos montes, de pessoas que passaram por situações semelhantes às minhas, senão humilhantes. Existem relatos de profissionais que tremem ao saber que terão de passar por uma dinâmica, devido a péssimas experiências em processos anteriores. Então, me pergunto: onde estão os responsáveis pelos processos seletivos? Por que essa banalização da área de Recrutamento & Seleção? Não quero, com esse artigo, banalizar a profissão do Selecionador.

Encontrei sim, muito profissional competente, extramente honestos em sua função. Realizei entrevistas em que ficou muito claro que o meu perfil não se encaixava na vaga – ou que a vaga não atenderia minhas expectativas profissionais – e nem por isso foram experiências ruins. Pelo contrário, me enriqueceram e me fizeram refletir sobre meus pontos fracos, o que eu poderia melhorar, quais eram realmente os meus objetivos. São de profissionais como estes que precisamos em todas as consultorias, em todos os departamentos de R&S.

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