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Vergonha alheia em um processo seletivo

Hoje fui participar de mais um processo de seleção. Dessa vez era para uma empresa gigantesca, mas os detalhes da entrevista vou deixar para um outro post (merece um a parte). Neste, vou me focar numa figura que estava lá.

Fazia bastante tempo que eu não participava de uma “entrevista coletiva”, ou seja, todos os candidatos se apresentam, os selecionadores expõe a (s) vaga (s) em aberto, etc. Cheguei lá um pouco adiantada, as outras candidatas foram chegando…até que apareceu um rapaz que, a princípio, pensei que estava acompanhando uma das moças. Não quero parecer preconceituosa ao descrevê-lo, mas entre 5 mulheres vestidas com camisa, calça social e salto alto, ele destoava completamente de jeans, camiseta e tênis.

Bom, entramos na sala onde a entrevista aconteceria, o rapaz do RH entregou para nós uma  ficha a ser preenchida e saiu. Aí, nessas horas, sempre começa o bate-papo entre os candidatos. Uma das meninas brincou “ei, você é o bendito fruto entre as mulheres”, todas nós rimos, outra perguntou para o rapaz se ele era da área de DP (uma pequena observação, acho que nós, mulheres estamos começando a dominação do mundo pelas áreas de RH, kkkkkkkkkk, e geralmente quando aparece algum homem, geralmente ou é DP ou Remuneração…rs), ele respondeu curto e grosso “não”, e não deu continuidade ao assunto. Nós, as mulheres, falamos mais um pouco sobre a pouca quantidade de homens no RH, e o quanto isso é ruim, pois falta equilíbrio, muita mulher junta num único departamento pode acabar em assassinatos em época de TPM coletiva, entre outras brincadeiras comuns à área.

Nisso, os selecionadores voltaram com os currículos em mãos, e começaram uma espécie de chamada. E o currículo do rapaz não estava lá. E se seguiu um dos diálogos mais constrangedores que já vi:

(RH) – E você, é o fulano? ( era o único currículo masculino que ela tinha em mãos)

(Rapaz) – Não, sou o Sicrano (silêncio constrangedor….)

(RH) – Ah, certo…bom, você é da área de RH?

(Rapaz) – Não !! (hein?????!!!!!) – Já trabalhei como analista de sistemas na empresa x e atendimento de não sei o que na empresa y

(RH) – E você veio pela indicação de alguém?

(Rapaz) – Ah, falei com a fulana que mandou eu vir aqui e preencher a ficha…

(RH) – Certo, mas para qual área você quer se candidatar?

(Rapaz) – Olha, pode ser qualquer uma. Só não quero mais trabalhar em call center…

A selecionadora, então, pediu para ele ir em outro andar, onde ele poderia preencher uma ficha de solicitação de emprego. Nisso, rolava um silêncio constrangedor. Eu tentava não olhar para os lados, porque senão seria capaz de rir. Mas não era um riso engraçado, era nervoso, aquilo me incomodou demais, e fiquei com muita pena desse rapaz.

Como é que ele entra numa empresa, sobe dois andares, não faz nenhuma pergunta e quando questionado se trabalha em DP, não tentou esclarecer para qual área estávamos ali?

O mais cruel nessa situação é que tenho a impressão que ele não fez nenhum questionamento simplesmente porque não tem senso crítico, ou então, vive numa realidade tão opressora, que não sabe que pode e deve questionar o mundo ao redor. Se isso tivesse acontecido numa cidadezinha perdida no interior do Brasil, seria fácil de entender. Mas estávamos em São Paulo, Capital.

Sinceramente, não sei o que pensar…

Um balanço sobre o primeiro mês “disponível no mercado”

Depois de pouco mais de 01 mês  “disponível” no mercado de trabalho, de várias entrevistas e muito tempo livre, resolvi fazer um pequeno balanço desse período:

1)      As oportunidades de trabalho

O mercado, para a área de Recursos Humanos está bastante aquecido. Há várias oportunidades para diversos níveis (desde estagiários até gerentes), mas o nível das exigências também está algo. Para vagas de Analista de RH, somente o nível superior não basta. As empresas estão pedindo bons conhecimentos em inglês e espanhol, e algumas exigem pós-graduação. Nesses quesitos, posso dizer que estou tranquila.

O dasafio agora é buscar fontes alternativas para pesquisar novas vagas e oportunidades de trabalho. Gostaria de salientar que, nesse período, enquanto não encontrar um emprego dentro das minhas expectativas, estou disposta a trabalhar por projetos, free lancer, etc., desde que dentro da minha área profissional.

2)      As entrevistas

Essa semana está sendo atípica, tive poucos contatos e nenhuma entrevista agendada. Isso gera uma ansiedade muito grande, mas tenho que focar mesmo é em novos contatos e lembrar que estou há muito pouco tempo no mercado (afinal, saí do último emprego no dia 08 de março – ou seja, 40 dias).

Foram cerca de 11 entrevistas até o momento, para 9 empresas diferentes. Gostaria de parabenizar os colegas de RH, tenho a impressão que os processos de seleção estão mais maduros, mais focados naquilo que o profissional tem a mostrar (experiências, qualificação, competências, etc) e menos em detalhes supérfluos do currículo (como por exemplo, explicar detalhadamente uma experiência profissional do ano de 2000..rs).

Tenho apenas duas ressalvas sobre as entrevistas:

Primeira, a falta de retorno sobre os processos seletivos. Pessoal, vamos lá…mandar um e-mail agradecendo a participação e explicar em duas ou três linhas porque não fui selecionada não custa nada e toma muito pouco tempo. Eu trabalho em RH, sei como as coisas funcionam, sei o quanto é corrido o dia-a-dia, mas a área de seleção é a vitrine do RH. Já recebemos tantas críticas, porque não investir em algo tão simples? Se eu, que sou da área, me incomodo, imaginem os leigos…rs…é mais um motivo para falarem mal (sem necessidade) da nossa área…rs. Pensem nisso!!

Segundo, porque ainda insistem nas velhas perguntas :  Qual o seu ponto positivo? Qual o seu ponto a melhorar? Será que falta coragem ao pessoal do R&S abandonar essas perguntas?? Rs.

3)      Driblar o tempo livre

Essa tem sido uma tarefa mais complicada. A tentação de ficar o dia inteiro na frente do computador é grande, mas isso gera cansaço demais para os olhos, para o corpo e para a mente. Minha meta é passar menos tempo possível no computador, e procurar atividades fora de casa. Vou colocar em ação o projeto Museus de SP, o qual pretendo visitar todos os museus de Sampa nos próximos dias. É um programa barato (os ingressos custam menos que 10,00), acessíveis de transporte público e ainda trazem algum tipo de aprendizagem. Também estou procurando por palestras gratuitas ou a preços populares  na área de Gestão de Pessoas.

Paralelamente a isso, preciso focar uma atenção especial ao TCC e também ter idéias para movimentar esse blog…rs. Sim, nessas horas não tem jeito, o computador é o melhor aliado…rs.

E atividade física!! Nos primeiros dias eu fiz bastante caminhada, mas enjoei do percurso (meu bairro não tem opções muito interessantes). Mas preciso focar urgente nisso, meu corpo está exigindo mais movimento, fora o ponteiro da balança, sempre ameaçando subir.

4)      Investir na qualificação

Nessa semana estou fazendo um curso online sobre Remuneração Variável e Recompensas. Esse é um tema que eu precisava focar,  buscar mais conhecimento, e nesse quesito o curso vale bastante a pena. É a primeira vez que faço um curso on-line, pois sempre tive muito preconceito com essa modalidade de aprendizagem. Pois digo que para algo focado, um curso de curta duração, pode ser vantajoso. O único porém é que dificulta a realização de networking com os outros alunos.

As metas para os próximos dias são:

– Buscar mais contatos em empresas e consultorias, por meio do Linkedin

– Colocar em prática o projeto “Visitar os museus de São Paulo”

– Fazer mais exercícios físicos

– Dar um gás no TCC

Invictus

E já que é para retomar, que seja com um texto interessante…rs.

Escrevi esse resenha sobre o filme Invictus para uma matéria da pós-graduação, no ano passado. Não contextualizei na resenha, mas sou uma grande fã do Nelson Mandela, e ter passado um período na África do Sul em 2008, convivendo com os costumes do povo sul-africano, conheci muito mais sobre a história recente do país, sobre a luta do Mandela e os efeitos do apartheid até hoje sobre a população.

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INTRODUÇÃO – ÁFRICA DO SUL E O FIM DO APARTHEID: TEMPOS DE MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS PARA A NAÇÃO

Em 1990 tinha fim na África do Sul o brutal regime do Apartheid, que durante décadas segregou os negros dos brancos daquele país. Nesse ano, o principal líder da resistência contra o regime, Nelson Mandela, era libertado após passar 27 anos preso. A partir desse momento, iniciava-se um novo período para a África do Sul, baseado na igualdade das raças.

Nelson Mandela foi eleito presidente nas primeiras eleições livres do país, em 1994. Seu discurso pregava a criação de um único país sob a bandeira do arco-íris – simbolizando todos os povos e etnias que compõe a população sul-africana. As palavras de ordem de Mandela eram RECONCILIAÇÃO E PERDÃO. No seu entendimento, sem essas duas ações o país jamais se uniria em uma única nação. O seu temor – justificado – era que, uma vez com um presidente no poder, representando-os, os negros passassem a vingar todos os anos de segregação e repressão contra os brancos, o que levaria o país ao colapso e a uma provável guerra civil.

Assim, logo que tomou posse, Mandela cuidou de manter a seu serviço os seguranças que trabalharam para o governo anterior, assim como os demais funcionários do gabinete profissional. Ele deixou claro que todos eram livres para ficar ou partir – mas que isso fosse uma decisão baseada em competências pessoais para o desempenho dos cargos, e não na etnia ou na cor da pele.

INVICTUS – O ESPORTE A SERVIÇO DA POLÍTICA

O filme Invictus, estrelado por Morgan Freeman (Nelson Mandela) e Matt Damon (François Pienaar), retrata esse período extremamente delicado da política sul-africana, e como o esporte pode ser utilizado para unir uma nação em torno de um objetivo comum.

Um dos símbolos do Apartheid, a seleção sul-africana de rugby – os Springbocks – estava passando por um momento delicado: depois de sofrer sucessivas derrotas e desacreditado pelos torcedores, era alvo de chacotas, e membros do governo de Nelson Mandela sugeriam que o time deveria ser extinto, principalmente por tudo de ruim que representava.

O rugby, esporte introduzido na África do Sul pelos ingleses, sempre foi considerado um esporte elitista, dos brancos e proibido para os negros. Esses preferiam o futebol (que até hoje é associado pelos sul-africanos como um esporte de negros), e os poucos que assistiam às partidas da seleção, torciam a favor do adversário.

Com o país em uma profunda crise de identidade, precisando urgentemente de uma causa comum a todos e as vésperas da realização da Copa Mundial de Rugby na própria África do Sul, Nelson Mandela decide apoiar os Springbocks, gerando grande polêmica entre os seus aliados, opositores e a própria seleção.

Primeiramente, Mandela reuniu-se com François Pienaar, o capitão dos Springbocks, e o principal defensor da seleção. O presidente viu no jovem um grande aliado em potencial, e buscou identificar nele as características de um líder pronto para defender o time até o fim. No entanto, Pienaar estava longe de ser esse líder, porém, uma vez frente à Mandela, prometeu fazer o que fosse possível para conseguir alcançar a meta proposta pelo presidente: vencer a Copa do Mundo de Rugby de 1995.

A META DE MANDELA – FAZER COM QUE A ÁFRICA DO SUL VENCESSE A COPA MUNDIAL DE RUGBY

Para vencer a copa, o time precisava, principalmente, do apoio de toda a população à sua causa. Dos brancos, torcedores habituais, isso não foi tão difícil de obter, apesar dos sucessivos fracassos da seleção. No entanto, era preciso que os negros também apoiassem os Springbocks. E como conseguir isso, uma vez que a seleção de rugby era considerada um símbolo do Apartheid?

Uma das principais ações que Mandela propôs, e os dirigentes dos Springbocks aceitaram, foi a aproximação dos jogadores com a população com a população mais pobre – e negra – nas townships (o equivalente a favelas ou comunidades na África do Sul). Em uma cena emblemática do filme, quando o time chega à primeira comunidade, as crianças do local ovacionam apenas o único jogador negro – e é este que faz com que os colegas se integrem às crianças e vice-versa. Ao final do dia, é possível ver os jogadores ensinando as principais regras do jogo, numa demonstração de respeito mútuo.

Em várias ocasiões, antes e durante a realização da Copa Mundial de Rugby, Mandela fez questão de demonstrar publicamente o seu apoio aos Springbocks, comparecendo aos treinos do time, aos jogos, dando entrevistas onde declarava que torcia pela vitória e encorajando os seus funcionários de gabinete a também se interessarem pelo esporte.

O LÍDER E SUAS FONTES DE INSPIRAÇÃO

Durante o primeiro encontro de Mandela e Pienaar, o presidente perguntou ao jovem como ele inspirava o time – e Pienaar responde prontamente “pelo exemplo”, mas sem detalhar como e com quais exemplos. Mandela, então, declarou que muitas vezes recorria a palavras de outros para se inspirar e inspirar a terceiros. Na ocasião, citou o poema Invictus (que dá nome ao filme, transcrito ao fim da resenha), que lhe deu forças durante os anos em que permaneceu preso, e a música Nkosi Sikelel` iAfrika, tocada em sua homenagem durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. E finaliza, incentivando o capitão dos Springbocks a insipirar seus companheiros de time: “Para construirmos nossa nação, todos nós devemos exceder nossas próprias expectativas”.

Meses após o primeiro encontro com o Presidente, e às vésperas do início da Copa, Pienaar e seus companheiros são convidados a visitar a famosa prisão de Robben Island, onde Nelson Mandela passou 18 dos 27 anos preso. E somente lá, dentro da cela que um dia foi ocupada pelo presidente, e vendo os antigos campos de trabalho forçado, é que Pienaar finalmente compreende que vencer aquela copa não era apenas vencer mais um campeonato. Signficava, acima de tudo, garantir a unidade e a igualdade de direitos entre brancos e negros na África do Sul, ideal pelo qual Mandela sacrificou toda a sua vida.

E é com esse espírito – vencer ou vencer – que Pienaar passa a conduzir o time jogo após jogo, até a grande final contra a temida seleção neo-zelandesa – os All Blacks. O resultado foi a vitória e conquista do título inédito para os springbocks, de Campeões Mundiais de Rugby.

CONCLUSÃO

O filme Invictus retrata a busca de dois homens, com histórias de vida e motivações distintas, por um mesmo objetivo. Mandela desejava a vitória para unir seu país, a despeito de toda a resistência que enfrenta. Pienaar queria vencer para afirmar-se como um grande atleta e conquistar o orgulho dos torcedores.

Nelson Mandela pode não ter conquistado plenamente seus objetivos – 20 anos após o fim do Apartheid, as marcas do preconceito e da segregação racial ainda são visíveis nas ruas e nas atitudes das pessoas. O rugby continua a ser um esporte de brancos, enquanto o futebol, o dos negros. Porém, mudanças ainda estão acontecendo, mesmo que em um processo mais lento que o desejado, e estas são irreversíveis.

O ex-presidente – o primeiro negro da história sul-africana a ocupar este cargo – é o herói vivo que toda nação mereceria ter. Sem empregar a violência, pregando o princípio da “desobediência civil” (a exemplo de Gandhi e Martin Luther King), ele provocou mudanças gigantescas na estrutura da sociedade sul-africana, mesmo tendo sacrificado a sua liberdade durante 27 anos.

Invictus

Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Suddenly I See

Her face is a map of the world
Is a map of the world
You can see she’s a beautiful girl
She’s a beautiful girl
And everything around her is a silver pool of light
The people who surround her feel the benefit of it
It makes you calm
She holds you captivated in her palm

Suddenly I see
This is what I want to be
Suddenly I see
Why the hell it means so much to me


I feel like walking the world
Like walking the world
You can hear she’s a beautiful girl
She’s a beautiful girl
She fills up every corner like she’s born in black and white
Makes you feel warmer when you’re trying to remember
What you heard
She likes to leave you hanging on a word

Suddenly I see…

And she’s taller than most
And she’s looking at me
I can see her eyes looking from a page in a magazine
Oh she makes me feel like I could be a tower
A big strong tower
She got the power to be
The power to give
The power to see

Suddenly I see…

Suddenly I See – Letra/Música: Kt Tunstal

Fotos: O Diabo veste Prada 

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